Wednesday, December 23, 2009

das resoluções de ano novo

suicídio não está em meus planos. e eu talvez ainda viva muito. parei de fumar há três meses - de novo. como de forma mais saudável: a linhaça, a pera, a maçã, o melão, o queijo cottage e o frango desfiado entraram em meu cardápio diário. comecei a correr. na verdade é um treinozinho que intercala minutos de corrida e caminhada forte. seria coisa de mutante sair correndo cheia de fôlego depois de muito fumar por 10 anos. não, não nos empolguemos tanto assim. enfim, listo essas atitudes novas para dizer que eu, lá no fundo, sou uma otimista e amo a vida. isso parece bobo, mas eu sou assim; do contrário, por que trataria de cuidar bem de mim? por que eu resolveria fazer coisas que prolongassem minha expectativa de vida? é contraditório, mas eu, que acho a vida tão sofrida, quero também vivê-la por mais tempo.
não sei ao certo se dá pra ser feliz. tem uns mais felizes que os outros. eu bem queria pertencer a esse grupo mais solar. diferentemente da adolescência, período em que eu admirava seres soturnos e tristes, associando, assim, tristeza à sapiência, hoje eu gosto de quem leva a vida com alegria. e gosto de ouvir gilberto gil. dá pra ser inteligente sem querer cortar os pulsos. eu acho que quem sorri é mais sabido. é assim e ponto. meu pai sempre foi assim: um sacatrapa com conteúdo. um otimista.
minha resolução de ano novo é essa: ser otimista. talvez eu viva muito. que eu viva, então, bem. eu sei que vou sofrer, a vida já me anunciou que a maior dor de minha vida está por vir. ela já chegou. não posso me fazer de coitada. eu não curto quem faz isso. eu quero ter orgulho de mim.
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não sei em quem votar no ano que vem.
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resolução de ano novo 2 - a missão: parar de achar que nota baixa de aluno é culpa minha. não mais sentir nó no peito quando marco um x numa questão errada. muitas vezes, o filhadaputinha não estudou porra nenhuma, e eu, toda encanada, fico remoendo fracassos alheios e atribúo-os a mim. de fracasso bastam os meus.
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cobrar caro pelas aulas particulares. chega de ser a monga boazinha que dá descontinho aqui e ali. depois eles vão tudo fazer lipo, e engordar de novo na disney. eu quero minha grana e descansar na praia.
outra crença caiu por terra: aquela de que ano ímpar é bom.
mal posso esperar pelas férias que tirarei daqui a 365 dias. tudo é lento, a vida é dura, mas eu sei sonhar. sonhos bons são aqueles que sonho acordada. os sonhos sonhados enquanto durmo são uma loucura. vejam bem: sonhei que eu e o liro estávamos em assis. procurávamos apartamento pra alugar, e só tinha lugar antiquíssimo. não estaile, mas deprê. e eu disse: liro, quando você não estiver em casa terei medo de ficar aqui sozinha. saindo de lá, passamos na marie, que morava com um namorado lindo de morrer e louco de pedra. o carinha tinha medo-pavor de cavalo. chegamos lá, o cara disse que tinha visto cavalo e estava pirando.

Sunday, December 20, 2009

esses dias desabei e disse aquela frase que há tempos não dizia: não sou feliz. parei de dizer que não sou feliz porque eu achava, realmente, que esses eram tempos melhores. qual o quê? a vida nunca foi tão séria. nunca perdi tanto.
parei, também, de dizer coisas fúnebres por medo de assustar os que me cercam. mas, sabe... por tanto medo de assustar os outros com o que eu sou, acabei perdendo muito de mim. eu não sou infeliz o tempo todo, nem alegre. e não sei porque constatações corriqueiras assim assustam tanto as pessoas. essas pessoas assustadinhas. quem é feliz levanta a mão, por favor, que eu quero ver.
sempre tive medo da morte alheia, de ser eternamente pobre, de nunca conseguir atravessar o oceano atlântico, de ser abandonada, de ser aquela menina com muita capacidade e poucas conquistas, além da fama de problemática.
não estou paralisada pelo medo. e nunca estive. eu nunca parei quieta. sempre sofri correndo de um lado pro outro, pirulitando pelo mundo.
amadurecer, para mim, tem um significado: entender que a vida é sofrer e não fazer muita manha por conta disso. enquanto sofremos, vez ou outra, dá pra assar um bolo que perfume a casa, ouvir gilberto gil, ter um sonho bom. nesses intervalos de não-sofrer é que respiro calma.
agora tô mais ou menos. quase sempre é assim. meio termo que não assusta (porque é invisível).