Thursday, June 29, 2006

Eu preciso de dinheiro. Aquele empréstimo no banco me foi negado porque minha conta ainda é universitária. E ainda o é porque meu gerente insistiu que eu a mantivesse assim quando eu quis trocá-la por uma conta normal, de não-universitário. Esse drama já me acompanha há algumas semanas. Pensei em pedir socorro para a minha mãe. Antes que eu pedisse, ela ofereceu ajuda. Aceitei. Tudo resolvido, não? Não. Eu sinto culpa por pedir tanto dinheiro, que eu nunca vou poder pagar. Por ficar tirando pedaços dos outros. Por dar trabalho.
Eu sei que é normal que os pais ajudem os filhos financeiramente, mas eu não gosto de pedir nada. Eu me sinto péssima. E por quê? Porque eu queria ser aquela que dá boas notícias. Que liga pra falar que foi promovida, que é um sucesso. Eu quero agradar. E pedindo dinheiro eu sou desagradável.
Eu tenho uma ótima memória, lembro as datas todas: aniversários, datas de casamento dos familiares, acontecimentos remotos. Lembro também de nomes de personagens de novelas, letras de música, de pessoas da minha vida. Mas eu sempre me esqueço dos livros que li e dos filmes que vi. Filmes e livros que gostei. Lembrei hoje que me esqueci de que assisti Peixe Grande e adorei. Lembrei que me esqueci. Que frase é essa?
Lembrei que há dez anos meu plano era morar em Curitiba.

Lembrei do Verve e da doce sinfonia da amargura. Lembrei coisas boas.
Pela manhã redescobri The Verve. Uma banda tão 1999 que voltou com toda a força pros meus ouvidos.
"'Cause it's a bitter sweet symphony, this life Try to make ends meet You're a slave to money then you die"
As coisas tão belas que permeiam minha mente não se concretizaram ainda. Lógico. As coisas são lentas para quem tem pressa.
Perpsectivas boas existem. O pai está ótimo. E a vida continua. Gélida. 8 graus.

Saturday, June 24, 2006

Fizemos um bolo esquisito de aveia e cenoura que ficou muito gostoso. Depois dormimos sem nos dar conta de que ele precisava ir para o bar em pouco tempo. Perdeu hora, saiu como um foguete sem que desse tempo de eu dizer tudo o que sempre digo antes de ele sair, coisas como "se cuida, cuidado na esquina, te amo, me acorda quando você chegar com beijo, blá, blá, blá". Não tive tempo pra preparar para sua ausência.
Eu o amo todos os dias.
Que frio que me deu nas pernas. Melhor ir pra cama aquecê-las e fazer filminho na cabeça sobre a vida que tem tudo pra ser daqui a pouco. E se não for, tudo bem, que projeto falido não é novidade mesmo. A novidade seria a vida seguindo de acordo com os desejos meus.
Mãe disse que ía ligar e não ligou, desnaturada é a mãe.




Anna Karina

Descobri Anna Karina. Musa de Godard.



Cismei que sou muito séria e de caráter muito reto, o que faz de mim um pouco azeda. Em termos de ética isso me enaltece, mas não faz de mim alguém feliz. Preferiria ter a ignóbil característica daqueles que deixam tudo para última hora, que se atrasam porque ficaram até mais tarde na cama. Gente que não se cobra. Experimentei essa faceta por um tempo durante os anos de faculdade, e acho que fui muito feliz. Mas a faculdade acaba, os amigos vão embora, você sofre um tanto, perde umas pessoas queridas e quando cai em si não é mais adolescente. Tudo bem levar as coisas com seriedade. O problema, o x da questão é não levar algumas pessoas a sério. E daí eu não sentiria tanto meu músculo trapézio!
Sonhei com meu pai, e ele estava bem.
Vou dormir e me despeço desse dia com a sensação de que aquele papo bicho-grilo de que não precisamos de tanta matéria faz todo o sentido e encontra eco em meu coração.
Eu adoraria ter bastante grana para comprar casa, carro, uma jaqueta xadrezinha da Triton, fazer as unhas no salão e ter um filho. Mas eu não tenho isso. Não tenho grana nem para a compra do mês. Quase morri quando me dei conta disso, mas novamente eu não morri. Sou dura de matar, acabei de me convencer disso. Eu tenho me virado. Com muito pouco mesmo. E tenho aberto mão de querer tantas coisas. Só não abro mão de sair de Assis. Taí um sonho que me move e me ajuda a encarar a crise das vacas magras com mais esperança de que dias melhores virão.
Gente simples é mais feliz. Não é mera coincidência.
Falo de simplicidade, não de miséria... que aí já é outro papo.
E que eu tenha uma boa noite com sonho bonito. E você também.

Friday, June 23, 2006



Essa é uma de minhas cenas favoritas do High Fidelity. Aquela em que o Ian vai falar com o John Cusack. E, nisso, o John Cusack Cover do Alberto Sabatini imagina alguns desfechos de grande feito para a situação. No entanto, ele apenas ouve a recomendação do Ian calado, com o rabinho entre as pernas.
Gosto dessa cena porque ela é bem engraçada e porque não há como não me identificar: essa cena é um retrato da minha vida. Imagino mil desfechos e resoluções para difíceis situações, das quais em grande parte saio como reles mortal, de cabeça baixa e perdedora. Fudida da vida por dentro e pensando: "Ai, se eu tivesse coragem! Diria isso, isso e isso!". E mais isso: POW!*

* agressão física.
Dia quase normal e vida quase boa.

Descobri que preciso de 8 horas de sono. Pecisas oito horas me garantem um pique durante o dia. E às sextas eu trabalho nos três períodos. Não me cansei.

Só cansei de coisas que me fazem ter um pouco de preguiça de ser eu mesma. É necessária muita paciência para suportar o tipo de situações que enfrento. Todas elas exigem muita paciência de mim, e .... eu não tenho paciência. Hoje o futuro chefe passou a ser, quem sabe, ex-futuro-chefe.
Mas eu espero. Pode deixar.


Em meu mundo utópico, eu viveria mais tempo na horizontal sobre essa cama. Nesse quarto mesmo...

...e moraria aqui, em Curitiba.

Gosto de ter a inocência de achar que um lugar novo mudaria minha vida. Gosto dessa pureza que ainda mora em mim.

Thursday, June 22, 2006


Hoje meu pai sai do hospital. Respiro aliviada.
Quando a coisa fica feia só o essencial basta: a vida de pessoas das quais preciso pra poder também viver.
Roí 4 das dez unhas.
Acordo pulando da cama com a urgência de ajeitar a vida. Lembro que é importante ter paciência. Temo ter um enfarte.
Ele acorda. Passo o café, engulo-o sem vontade, e invento de lavar louça. Com isso me distraio, e penso no quanto evoluí na arte da culinária. Já posso cozinhar pros meus filhos que não nasceram. Olho pra ele, sentado, quietinho. Nem muito triste, nem muito feliz. Precoupado com o rumo das coisas, assim como eu. É o menino que eu amo.
E o dia seguiu tranqüilo sem que eu me desse conta.

Sei que se der certo de nós dois irmos pra lá será dureza a priori, mas lá no fundinho também sei que daremos conta. E que seremos mais felizes. Só de sair por aí tentando a vida ao lado dele vale. Acho bonito isso. Romântico. E eu sou bem romântica.

Sunday, June 18, 2006

Vou passar o domingo em casa, preparando alguma receita na cozinha. Depois arrumar e ajeitar o lar. Corrigir provas.... talvez. Quero um dia normal, um dia tranqüilo. Um dia quieta com ele na nossa casa.
E nesse meio tempo muita coisa aconteceu. O sobrado que eu queria alugar já foi alugado por outrem, meu chefe me destratou - logo eu, que gostava tanto dele -, meu pai foi internado, fiz empréstimo no banco, surgiu a oportunidade de Curitiba e o Bussunda morreu.
Quando, na quarta-feira à noitinha, minha irmã me ligou avisando da internação do meu pai, eu pensei que fosse morrer. O fato é que não morri. O fato é que a gente agüenta as coisas que supomos jamais conseguirmos agüentar. E agora meu pai está melhor. E eu fiquei melhor também.
A possibilidade de morar em Curitiba me enche de receio, mas quero livrar-me do medo antes de saber se isso vai acontecer mesmo ou não. Porque eu sempre fico com o estômago doendo diante das possibilidades, e no fim das contas as possibilidades nunca passam disso... de projetos falidos.
Não compro uma maço de cigarro desde quarta-feira, mas também não quero me empolgar e me julgar ex-fumante porque taí outra coisa que se enquadra na categoria de projeto falido. Só que eu não quero mais ser uma pessoa que fuma. Não é bonito, nem glamouroso, nem cheiroso. Tenho a impressão de que ninguém mais fuma. Só sou eu a vítima do câncer. E eu não quero mais chamar atenção por essa razão. Sou chamariz de velhos que me abordam dizendo "filha, você já conheceu alguém com enfisema pulmonar?" Sem contar que minha bronquite atacou na semana passada e eu precisei de muita inalação para me recompor.
Às vezes me sinto sozinha.



Eu me magôo muito facilmente com as pessoas, apesar de achar que eu tenho bom senso para julgar uma mancada. Mas sempre ouço que sou uma melindrosa. Só que sempre escuto isso de gente que é conhecida mundialmente como grosseira.

Para terminar, ainda que não faça relação com o que escrevi - mas faz! - , é sempre melhor ficar em casa.

Sunday, June 04, 2006

Vivo aquela fase em que ser feliz independe de questões internas. Independe de mim.
Eu preciso que algum médico saiba exatamente o que meu pai tem, e que esse doutor prescreva a medicação correta e a dosagem apropriada. É somente isso.



Tudo fica mais difícil quando a vida pra ser boa depende de um fator externo, de algo que eu não posso resolver sozinha.
Antes eu lutava contra mim mesma pra resolver perrengues e achava que minha maior inimiga nisso tudo que habita o mundo era eu mesma. Passada a fase seek and destroy , eu vejo como me sabotei por tanto tempo sendo infeliz quando, no mais, tudo estava bem. E lamento então, todas as lágrimas que derramei por coisas bobas, irrelevantes em comparação a tudo que mais importa.
Eu quero meu pai bem, e quero ir à praia com ele nas férias de verão. Quero só o essencial. Que pra mim é isso.

Friday, June 02, 2006

E assim finda mais uma semana desse calendário cheio de dias sem promessa.

Isso pode soar como amargura reprimida, mas não é o caso. Estou contente. Não diria contente exatamente. Não sei se existe uma palavra que exprima o conceito que quero passar. Sinto assim: um estar feliz sem gargalhar, sem esperar nada da vida. Sem grandes esperanças ou expectativas. Mas parece-me que estou bem. Tenho feito comida, deixado a casa em ordem e .... sim, isso me alegra enormemente. Isso é algo novo pra mim, que sempre fui adepta da bagunça e do coçar o saco.
Agora, quando acordo feliz, ligo o som e limpo a casa! Isso me lembra Caio Fernando Abreu em Os dragões não conhecem o paraíso. A pia às moscas - literalmente- , e a casa vazia de sons. A vida vazia de abraços. Eu era a pessoa mais carente de calor humano do mundo e minha casa era o reflexo da zona em que me encontrava. Como no livro.
Outro indício de que minha vida está muito mais centrada hoje em dia é o fato de eu não conseguir emagrecer. Contentinha e gordinha sou. Contentinha e gordinha fazendo doces tardes a fora! Quem me viu, quem me vê!
Você saberia mexer em todos esses botões?

Pois o Liro sabe. De barman foi promovido a técnico de som, o que vai melhorar significativamente sua vida.
Apesar de seu bom gosto musical, os frequentadores da casa noturna em que trabalha têm pésimo gosto, sendo assim, não haverá meio de tirar os funks da lista dos sons que vão rolar. Mas, porém, sutilmente, ele introduzirá algumas coisas boas, sons estailes!

Minha cabeça não pára de pensar em meus avós. Sinto saudade sempre. Especialmente quando estou sozinha e quieta dentro do ônibus, antes de me deitar ou na fila do supermercado.

Quero meu pai bem, preciso dele aqui.

Thursday, June 01, 2006

So take aim children take aim!

Tables and Chairs
by Andrew Bird
if we can call them friends we can call them on red telephones
and they won't pretend that they're too busy or they're not alone
if we can call them friends we can call
holler at 'em down these hallowed halls
but we can't let the human factor fail to be a factor at all
don't don't you worry
about the atmosphere
or any sudden pressure change
'cause I know
that it's startingto get warm in here
and things are
starting to get strange
and did you, did you see how
all our friends were there
drinkin' roses from the can
howhow I wish I
I had talked to them
and wished they
fit into my plan
and we were tired of being mild
oh so tired of being mild
we were so tired
I know we're gonna meet someday in the crumbled financial institutions of this land
there will be tables and chairs
pony rides and dancing bears
there'll even be a band
'cause listen after the fall there'll be no more countries
no currencies at all
we're gonna live on our wits
throw away survival kits
trade butterfly knives for adderaland that's not all
woah!there will be snacks, there will
there will be snacks!


This is Mr. Andrew Bird!
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Temos ouvido muito Andrew Bird nas manhãs de vento frio tomando café e conversando sobre qualquer coisa. Como eu gosto das manhãs! É o período do dia em que estou inteira, com planos querendo dar certo. À medida que o dia se arrasta, as coisas começam a dar errado, e assim, tudo vai se desenvolvendo como o usual, dando errado... Nem todos os dias caminham para a falência do êxito, mas uns 327 dia do ano são assim. É a vida de todos nós.

Quero uma grande notícia. Uma grande e ótima notícia.