Saturday, July 26, 2008

dos laços

é sempre assim. eu sofro por ter que me afastar do liro; e as rodoviárias todas já foram cenário de minhas crises de choro, de agonia que espreme o peito. acontece, porém, que sempre que estou assim, de visita, na casa dos meus pais, me sinto bem. é como se fosse minha casa de novo e volto a ter 16 anos. tudo mudou, é claro. até a casa mudou. o endereço é outro. a casa é mais bonita. os papos, minha postura diante de algumas coisas mudaram. constato que - é fato - estou melhor. sou uma menina melhor que antes. agora que já estou me acostumando preciso voltar. domingo é o dia.
comprei mais um livro do monteiro lobato, que é um cara realmente incrível. ele disse que escrever tem que ser tão espontâneo quanto mijar. e eu acho que mijo aqui bem gostoso. comprei também uns gibis de super-herói pro liro.
domingo estou voltando pra gélida curitiba. pros braços do meu marido. daí logo é aniversário dele. a vida continua, a saudade vai continuar. quando não é de uns é de outro. quando não é do outro, é de uns. eu sinto tanto!
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na minha cidade natal, julho é tipo verão. eu gosto. e então me lembro da paranoia geral do aquecimento global. lá no MEU PÃRANÃ(com til), num tem disso não!

de hoje

cortei 3 dedinhos do cabelão.
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estou mais calma. menos fúnebre que ontem, ao menos.
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é bom estar aqui e bater papinho.

Friday, July 25, 2008

da obsessão dessa noite

"Internada com obstrução intestinal, a caminho do hospital, afirmou: "Vamos brincar de faz-de-conta. Não estamos indo para o hospital, eu não estou doente e nós estamos indo para Paris." O motorista do táxi virou-se: "Posso ir junto?" "Pode levar a namorada também", respondeu Clarice. Tinha um adenocarcinoma de ovário, o caso era irremediável. Em 8 de dezembro de 1977, vomitou sangue e tentou sair do quarto, mas foi barrada por uma enfermeira. "Você acaba de matar o meu personagem", disse Clarice. Morreu na manhã seguinte. Ainda ditou para a amiga Olga: "Eu, eu, se não me falha a memória, morrerei." Ficou o rastro do cometa, o pó das estrelas."
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stardust. o pó das estrelas. a poeira estelar, como queiram. é mais bonito em inglês. estou fúnebre.
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o cauê entendeu que sou professora de inglês e me perguntou se quem dá aula gosta de dar aula. repondi que sim, pra que ele não entrasse em parafuso com sua professora. e, pra ser sincera, eu gosto de dar aula. cauê está aprendendo o alfabeto. e quando ele estiver alfabetizado ganhará um gibi do batman, eu prometi a ele.
cauê é um grande amor. meu grande amor. é o grande amor de muita gente. a professora dele o chama de gatão, diz que ele é especial. eu queria dar aula pro cauê todos os dias. eu gosto de crianças. até daquelas que as pessoas acham chatas. meu pequeno anda angustiado, não sabe se aprenderá o alfabeto. eu aposto que ele aprenderá o que quiser. mas ele está de bode por conta do alfabeto, e não quer ir à escola. minha irmã deixa. não é nada rígida. e seus três filhos são incríveis: estudiosos, engraçados, e devoradores de frutas.
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estou em marília, e sem fumar há 2 dias. e eu queria parar de vez. pra não dar trabalho pra ninguém no leito de morte. só que eu não vou conseguir. eu sei disso. minha vida é estranha sem cigarro. estou fadada ao câncer, infelizmente.
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eu não sei mudar.
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eu não quero falar em morte. eu não quero pensar em morte. eu quero é acordar amanhã e fazer uma torta de frango desfiado com milho verde. minha mãe está com disfunção de ATM e não consegue engolir as coisas, sente dor. eu sofro. minha cabeça só pensa coisas que fazem sofrer.
meu pai está bem. desmaiou há 2 semanas, mas sua melhora é inegável. tudo tem sido mais calmo.
eu queria que as pessoas ao meu redor fossem felizes. eu dou conta da minha dor. eu não dou conta que outra pessoa que eu amo esteja sofrendo sem que eu possa mudar isso. sinto culpa por não ser capaz de porra nenhuma. e a vida é tão sem sentido as pessoas nascem e morrem feito planta, feito bicho, pulga, piolho. por que nós pensamos? seria mais fácil atravessar tudo isso sem pensar. sem que tivesse doenças, pelo menos. eu queria morrer do nada. e que fosse assim com todos. as pessoas poderiam morrer por decorrência de uma única e fulminante crise de narcolepsia. a vida é tão errada, meu deus! e se eu ainda acreditasse em deus, paraíso, vida após a morte... eu não aredito em nada. só acredito que eu amo muito as crianças da minha família ( tem a minha dada linda, cheirosa, bava, sem r), meus pais, minhas irmãs, meus cunhados, meus avós. e a porra é que me acostumei a viver sem o oscar e a anita. como? sinto culpa. sinto medo. eu não queria perder mais ninguém. a vida é muito cruel.
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quando eu era pequena eu chorava escondido. soluçava. depois voltava pra sala e via meus avós e meus pais rindo. eu pensava que um dia eles morreriam. e que eu não agüentaria.
eu não mudei nada.

sobre o drummmond

"A mulher que ele mais amou, entretanto, foi a filha Maria Julieta (o outro filho, Carlos Otávio, nascido em 1927, viveu apenas meia hora), amiga e confidente, que morreu de câncer, em 1987. Carlos ficou desolado e pediu à sua cardiologista que lhe receitasse um "infarto fulminante". Não deu outra. Dias depois, a caminho do hospital, com edema agudo e falência cardíaca, pediu desculpas à médica: "Sou desastrado. Estou atrapalhando sua vida. Tanta coisa para fazer numa sexta-feira à noite." Morreu a 17 de agosto, numa clínica em Botafogo, de mãos dadas com a namorada, Lygia."
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fuçando sobre a vida alheia, lendo biografias de estadistas, escritores, poetas, comunicadores... constato que toda vida termina triste. eu não queria ver meus pais envelhecendo. eu não queria vê-los tomar tantos remédios para tudo.
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eu vou morrer exatamente como o drummond, me sentindo mal por incomodar a todos. "tanta vida aí e vocês me esperando morrer..." eu nunca mais me esquecerei disso. até morrer, pelo menos.
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se eu tiver um filho, eu pensarei mais em trocar fraldas e menos na vida que tá indo embora.

Sunday, July 20, 2008

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eu arrisco dizer que um dos meus dramas é a culpa cristã. eu só gostaria de saber o que fazer com isso, a fim de viver melhor. sem culpa. eu sinto culpa até por acordar tarde e ver que o dia, parte dele, se foi. o que fazer com os problemas que eu sei que existem? como ser mais leve? eu não sei. não sei e nunca soube. mas eu tento me virar. dou meus pulo. me calo. me ocupo. e me apóio nele. ele me ajuda a atravessar as coisas. nunca atrapalha.

hoje foi meu primeiro dos 10 dias de férias. e eu não quero mais amargura no peito. eu só quero é ser feliz. e andar tranqüilamente na favela onde eu nasci.

tô pensando em dar um pulo em assis durante minha estada em marília. queria pegar um ônibus pela manhã e outro no fim da tarde para retornar à marília. seria um rolê com o simples propósito de caminhar na d. antônio, mal. deodoro e rui barbosa, entrar na unesp, sentir o cheiro do bosque e voltar pra casa dos meus pais. mas não sei. eu acabo não fazendo algumas coisas a que me proponho. eu não me sinto muito livre para escolher.

muita angústia enjoa. vou ali vomitar angústia e volto amanhã.

Friday, July 18, 2008


quando eu tiver setenta anos

então vai acabar esta adolescência


vou largar da vida louca

e terminar minha livre docência


vou fazer o que meu pai quer

começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja

aproveitar as oportunidades de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito


então ver tudo em são consciência

quando acabar esta adolescência

(paulo leminski)

Thursday, July 17, 2008

de um, de dois e de três

amanheci amarga. mais tarde me dou conta de que amanhã ficarei menstruada. que bom. ao menos vejo que há explicação, científica até, para a tristeza que veio me perseguindo o dia todo. agora, ao cabo dele, sinto a paz novamente. AMO minha solidão em casa. eu já reclamei tanto de solidão na vida e, hoje em dia, eu me simpatizo com a ausência de comentários e opiniões a respeito de tudo. aprendi a apreciar verdadeiramente a casa vazia, e tudo em seu lugar. e eu nesse lugar. é fato também que essa solidão é prazerosa especialmente porque há sempre a expectativa de que ele chegue às 2 da manhã. e enquanto ele chega eu estou feliz. enquanto esse amor durar eu estarei feliz.
nós costumamos dizer um pro outro que quanto mais pessoas conhecemos, mais gostamos um do outro. eu sinto assim desde que terminei a faculdade: que as pessoas legais do planeta foram para um lugar em que eu não estou. a dificuldade de encontrar pessoas educadas, reservadas (odeio pessoas efusivas), e com bom gosto musical é tremenda. e eu nem quero gente com o mesmo gosto musical, eu nem quero pessoas reservadas. eu nem quero pessoa alguma. eu só quero ele. eu só quero eu. eu mesma. a menina que sempre fui e tive prazer de ser.
tem pessoas que reclamam do fato de os curitibanos serem fechados demais, frios e tal. eu, porém, não me incomodo com isso em hipótese alguma. eu prefiro ficar na minha mesmo. não é arrogância, é apatia. é mais que isso: é postura profissional. eu saio de casa para ir ao trabalho. e nesse ambiente eu não faço a menor questão de dar minha opinião sobre aborto, casamento gay, legalização da maconha ou qualquer outro fato polêmico. sei que não encontrarei eco para as minhas opiniões. opiniões essas que nem são tão avançadas assim. diria que se trata de bom senso. de berço. enfim, zenti. com z. eu gosto é de vocês.
agora eu me sinto bem. e me sinto bem porque estou digitando palavras. não quero reler o que escrevi para não me auto-censurar. ando muito crítica comigo mesma, achando tudo sem sentido e medíocre. e repetitivo. eu sou monomaníaca. sempre fui. às vezes nem falo, mas tô martelando na cabeça o mesmo pensamento. insistentemente.
mas não há porque me cobrar originalidade aqui. isso aqui é só pra mim. não é tese de doutorado. é só pra escrever. sobre mim. pra que eu passe meu tempo. não há muita finalidade, enfim.
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todos os dias penso em ser mãe. faço filminho na cabeça imaginando uma criança que tenha a nossa aparência mesclada num corpinho de criança. que medo de que meu filho nasça feio! será que eu serei coruja a ponto de não conseguir saber se meu filho é bonito mesmo ou se é só o feiosinho mais amado da mamãe? filhos. eu terei uns dois. não sei. eu espero tê-los um dia. algo me diz que eu serei mais feliz. menos encanada com bobagens. li uma entrevista na TPM com a fernanda torres em que ela dizia que após ser mãe, a única preocupação realmente perturbadora para ela é morrer. ela diz só se preocupar em estar viva pra cuidar do filho.
taí. a júlia também me disse que a gravidez lhe trouxera uma calma vinda sei lá de onde.
não tenho coragem de ser mãe agora. acho que tudo seria lindo até acabar a licença-maternidade. depois seria muito complicado. e eu sei que nós daríamos conta. mas... deixa o verão pra mais tarde. que hoje a gente tem preguiça.

before i forget

antes que me esqueça, preciso dizer que tenho muito apreço por essa canção do echo & the bunnymen. eu ouço essa música e dá um arrepio. a propósito, eles tocaram aqui em curitiba no início desse mês, mas eu nem cogitei a idéia de ir, pelo mesmo motivo que nunca me atrevi a pedir pros meus pais a casa da barbie, o intercâmbio pros estados unidos, a carteira de motorista... dinheiro sempre faltou.

update

eu engordei trê dos quatro quilos que eu havia perdido desde que me propus a malhar e fechar a boca em janeiro último. dá um desânimo para a vida esse tipo de coisa. basta que eu relaxe por um mês e tudo volta àquela lamentável situação. uma barriga imensa, branca, com celulite. faz também 7 meses que eu não corto meu cabelo. quando eu fui ao salão pela última vez, em dezembro de 2007, acabei levando uma cotovelada no olho. o cabeleireiro era um muleque afetadinho que não deveria ter a menor experiência com tesouras. primeiro, ele me pediu que eu ficasse de pé enquanto ele cortava minhas pontas atrás. depois, pediu que eu me sentasse para arrumar a franja - foi a última vez que minha franja viu tesoura - , e no meio disso tudo eu levo um cotovelada do hair designer. tenho certeza de que ele se entitularia assim. ah, a propósito, o moleque se parece um pouco com o virley. e o virley aí deixou a minha franja estilo juruna, indígena mesmo. só sei que depois de gastar dinheiro tentando ficar bonita e só conseguindo ficar mais feia, desisti de investir nessas coisas de salão de beleza. desisti da dieta. da academia. perdi a vontade de parecer bonita. não, isso não é depressão. eu não sei, mas acho que nunca tive depressão. o que eu sinto agora é uma apatia. mas as coisas vão melhorar. eu prometo que irei a um sebo comprar alguns livros. é só ocupar a cabeça com coisas interessantes que essa frescura do caralho passa. e uma hora ou outra eu corto meus cabelos. isso não é, nem deve ser um drama para alguém com 27 anos. ou eu passei da idade, ou então eu aidna não estou na idade de me preocupar com isso.
eu trabalho até sexta-feira, e depois de um fim de semana de afagos e carinhos, irei pra casa dos meus pais. sinto enorme preguiça de viajar. mas sei também que estarei chorando alto na rodoviária de marília na hora de voltar. é sempre assim.
acho que é melhor sair daqui e ir pro fogão. tá na hora do almoço.

Wednesday, July 16, 2008

da mudez

é só respirar fundo que sai. mentira. já respirei fundo e já não respirei fundo e nada vem à minha cabeça. não. não é que haja falta de assuntos. eu os tenho aos montes. só que os tenho aqui desorganizados. e pensá-los já é trabalhoso o suficiente. exprimí-los com palavras exigiria de mim esforço ainda maior e eu soudo tipo que prefere evitar a fadiga, tipo o jaiminho. fico um pouquinho angustiada. uma pessoa sem hobbies.

Friday, July 11, 2008