Wednesday, April 23, 2008

do cansaço que sinto da TV


terminei o dom casmurro durante minha viagem no feirado. tomei alguns chás de cadeira na rodoviária de sorocaba, e por lá mesmo terminei a leitura. ontem já emendei memórias póstumas de brás cubas. mais um livro que releeio pela falta de novas obras literárias em minha precária estante.

qualquer dia desses passo num sebo, que aqui tem aos montes, e compro alguns novos livros velhos. ou velhos livros novos.

antes de dormir, fico lendo na cama. dessa maneira, excluo cada vez mais a televisão do meu dia-a-dia. basta do caso isabela! basta da aposentadoria do romário! repetição por repetição, fico com as releituras de machado. é que eu me deixo consumir facilmente por coisas que não me interessam, muitas vezes, apenas para suprir o tédio da ausência de vozes que habita minha casa durante a noite. acontece que preciso me precaver da imbecilidade que é render-me aos canais da TV aberta, e suas notícias velhas, e seus ex-bbbs, e suas novelas brasileiras-mexicanas. estou cansada da companhia da televisão.

tenho sentido muito medo de emburrecer.

e como uma música dos titãs - banda que já deveria ter acabado com alguma dignidade - me despeço e me recolho aos meus aposentos.

do tremor que eu não senti


ontem um abalo sísmico causou leve tremor em alguns estados do brasil, incluindo o MEU PARANÁ, como diriam as gurias e os piás. se eu tivesse sentido algum tremor seria uma experiência de vida nova a ser relatada aqui; contudo, nada senti. soube que houve alguns telefonemas para o corpo de bombeiros a respeito, mas... não, eu não liguei. por aqui, tudo em seu devido lugar. nem tanto assim, tanto é que me ausentarei a fim de dar uma organizada na casa. depois de um feriado ausente, meu lar está assaz bagunçado...

Tuesday, April 22, 2008

[da volta]

voltar à rotina é pensoso durante as horas primeiras. os pensamentos todos voltam-se para os instantes anteriores. [as meninas. seu lar. casinha aconchegante. cidade pequena cercada por morros. bonito cenário.] no entanto, aos poucos, vou encontrando aqui e ali a beleza de estar de volta a minha rotina. rotina que é doce apesar de repetitiva. o brigadeiro continuaria doce ainda que eu o provasse todos os dias. cabe a mim ter paciência com a saudade que sinto. paciência. paciência com as noites sem companhia. paciência com a minha impaciência.
foi muito bom viajar. é fato que preciso ter menos preguiça. a vida também é boa lá fora.

sweet pics










do feriado com elas












ai, foi corrido! e foi ótimo. brincamos o dia todo com a maria eduarda, que está cada vez mais linda. cada vez mais sacatrapa. cada vez mais esperta.
na hora de voltar pra curitiba é aquele sofrimento de sempre. choro por mais ou menos uma hora dentro do ônibus e resmungo pra mim sobre a dificuldade e a dor que é morar tão longe de quem amamos de paixão.
a lu e a maria eduarda são minhas graciosas.

Thursday, April 17, 2008

the trip

como minha irmã está muito feliz com o fato de eu ir visitá-la, passei a sentir mais disposição com relação a essa viagem também. veja bem, em circunstâncias mais amenas, e por isso entendam, mais tempo disponível, eu iria feliz. sinto saudade dela; sempre mantivemos ótima relação. temo parecer fria diante de seu apelo. minha irmã quer minha companhia, e eu não quero desapontá-la. muitas vezes ela foi ao meu encontro, sem que eu até mesmo pedisse.
é que não gosto mesmo de sair de casa. ainda mais assim, no susto, de repente, sem que haja planejamento. se isso soa sistemático demais, tudo bem. aos poucos eu vou me tornando alguém que eu já não era. eu mesma levo tempo para reconhecer em mim certas características.
exemplos: eu sempre fui desorganizada. meu quarto já foi um lugar maluco, com coisas espalhadas por todos os cantos. hoje em dia gosto de arrumar minhas coisas. e poderia dizer que me divirto organizando livros e CDs na estante. outro exemplo: eu já fui uma pessoa mais boêmia, mas hoje meu período do dia favorito é a manhã. é de manhã que tenho grandes idéias. é de manhã que eu tenho mais esperança. de manhã o sol é quentinho, mas não muito. de manhã é perfeito para ouvir neil young e tomar um belo café da manhã.
enfim, no sábado voarei da escola para a rodviária. depois, uma estrada tortuosa - já fui advertida, "tome dramim" - e em longas horas estarei lá com minha irmã e minha sobrinha querida. o liro e meus planos ficarão por aqui mesmo. de repente será bom não seguir o planejado. e deixar o liro com um pouco de saudade de mim.

trechos, ponto e vírgula, e meu coração


tanta chuva, tanto vento... preciso descobrir meio de ser animada durante o período outono/inverno. não animada. bastaria a mim ser menos melancólica quando o sol se esconde.
ontem sublinhei algumas palavras bonitas do machado de assis enquanto as lia. peguei essa mania da marie. anteriormente, eu não "sujava" livros. agora gosto de ir riscando frases de efeito, frases bonitas. gostei desse trecho:
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"A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro. Também há as fechadas e escuras, sem janelas, ou com poucas e gradeadas, à semelhança de conventos e prisões. (...)
Não sei o que era a minha. Eu não era ainda casmurro, nem dom casmurro; o receio é que me tolhia a franqueza, mas como as portas não tinham chaves nem fechaduras, bastava empurrá-las, e Escobar empurrou-as e entrou. Cá o achei dentro, cá ficou, até que..."
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gosto também desse trecho extraído lá do segundo capítulo:
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" O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo."
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notem o uso constante do ponto e vírgula. eu raramente o utilizo quando escrevo.
enfim, estou com o coração apertado. deram nele um nó. e será difícil essa quinta-feira de chuva. não é só o clima. é a expectativa de deixar minha casa nesse feriado. eu queria ficar. não reclamarei a ninguém. quero dar conta de mim. acho que consigo.

Wednesday, April 16, 2008

típico


dia típico na vida de uma menina de nome danielle nascida ao três do nove. típico porque eu precisaria ter dito não, e não disse. disse sim. sim querendo dizer não. sim querendo dizer não e, querendo também querer dizer sim. quisera eu ser do tipo disposta, topa todas, estamos aí, como eu costumava ser. acontece, no entanto, que me apeguei à rotina dos meus afazeres, referindo-me até mesmo àqueles mais banais. se eu não passo o fim-de-semana em minha casa, eu não sinto que descansei. sou uma senhora, não mais menina, cheia de manias. enfim, o que ficou é que eu disse sim. contento-me por, ao menos, fazer alguém feliz.
dia típico também porque hoje minha japa superiora me pediu desculpas por ter sido grosseira em certa ocasião. bem dizendo, ela pediu desculpas porque eu atentei-a para o fato de que ela estava novamente repetindo a grosseria. então, ela se desculpou com voz dócil. eu não sei ouvir desculpas e dizer: tudo bem. eu já começo pedindo desculpas também. digo que tudo tem dois lados, e que eu também isso, eu também aquilo. ai! sinto que ajo de forma completamente errada. no fim, assisti a essa mulher tentando reparar seus erros comigo.
às vezes eu facilito demais as coisas para que as pessoas saiam satisfeitas. é como se eu quisesse que elas pensassem: ai, como a dani é boazinha! já nem sei se isso é o que penso mesmo. seria eu naturalmente capacho, ou naturalmente humilde? fato é que sinto-me patética. e, patética, fui embora, passei em uma revistaria, comprei um cigarro avulso, traguei chorando um pouquinho. e fui pensando na hipótese de algum dia conseguir efetivamente passar a imagem de alguém adulto. alguém que se defende sem chorar. alguém forte. alguém que expõe suas idéias sem gaguejar. minha mãe sempre foi fera nisso, na tal da eloqüência. enfim, de qualquer maneira, fui sincera. eu, euzinha, apontei erros e falhas na coordenadora. gaguejando, com olhos cheios de lágrimas, mas eu falei. isso eu faço. eu sempre falo.

fox in the snow



parece que o inverno chegou. é outono, porém. por isso coloquei a imagem fox in the snow. e o template passa uma sensação térmica de aproximadamente 5 °.

como estou num momento machado de assis, sinto-me meio tímida para escrever. a frase é auto-explicativa.

semana que vem acontecerá uma semana de estudos sobre shakespeare na harvard, oops, quer dizer, UFPR, e talvez eu vá. talvez eu mande a literatura inglesa arcaica às favas e cuide das celulites da minha bunda nas aulas de JUMP!

"go ahead and jump!", lembram dessa pérola do van halen?

agora é sério, estou indo à aula de jump. agora. fui.

Sunday, April 13, 2008

sequência


sábado: aulas. almoço. faxina. chico buarque de hollanda. valsinha. sonhos de doce de leite e creme. presentinho de assis. conversas na sacada. mãe e pai ao telefone. cigarros demais. nova visita. vinho. dois copinhos de nutella. [não há taças]. 2 e tanto da manhã. dom casmurro. sono.

sábado foi uma sequência de coisas boas. mas, claro, sempre há uma ressalva. ser uma dondoca fina, saber regras de etiqueta, e comprar taças a fim de não oferecer vinho em copos de creme de avelã nutella, nunca foi o meu objetivo. tenho, por vezes, crises de auto-estima, mas a verdade, verdade cristalina, é que sou o que eu gostaria de ser. não tenho o que eu gostaria de ter; falta-me dinheiro. mas o que sou e que independe de matéria monetária para ser é fruto do que eu escolhi. caso almejasse ser dondoca, eu seria. há uma miríade de dondocas pobres, conheço dezenas delas. eu poderia ser maisuma, se assim minha vontade ordenasse. acontece, porém, que eu gosto de ser desse modo: uma menina simples.
"se minha amiga viesse junto, ela poderia comentar sobre a ausência de taças de vinho...olha, por mim, tudo bem não haver taças! imagine! mas é que a ferrero utiliza trabalho escravo para a fabricação desses copos...".
eu só quis abrir minha casa, e abrindo minha casa eu abro também minha vida, meu coração. nessa casa não entraram mais que 10 pessoas diferentes. eu gostaria que as dondocas tivessem educação. gosto dessa dondoca. mas não venha com regras para cima de mim. sinto, do alto, do everest da minha arrogância, que sei mais sobre ser feliz, calma, e bem educada que você.

e sim, eu assimilo mais os comentários ruins que possam, por ventura, ser dirigidos a mim.

é domingo de sol. preciso ir pra lá viver.

Friday, April 11, 2008

memórias


agora, agorinha, conversei com uma ex-vizinha minha da época do predinho da chicão teixeira em assis. tivemos um papo nostálgico e muito bom. naquele predinho, eu tive a experiência de morar sozinha. não foi maravilhoso, mas não foi de todo ruim. é que eu fui morar sozinha não por opção. foi a solução que encontrei pelas circunstâncias que me foram apresentadas pela vida naquele momento. eu evitava a solidão ficando fora de casa até muito tarde, saía do trabalho e ía beber com os amigos. o bar já foi uma segunda casa pra mim. não que eu ficasse bêbada todos os dias. eu, na verdade, tomava cerveja devagarzinho. assim evitava gastar muito, evitava a ressaca, evitava o silêncio. eu tenho ótimos amigos. e nessa época eles me foram essenciais.

2003 foi o ano. alguns sábados à noite eu passava comigo mesma. pedia 2 fatias de pizza - lembram do euro pizza? - e assistia a filmes quaisquer que passassem na tv. esse período foi vivido "a la morangos mofados", mas depois me virei melhor. foi por aí que eu deixei de ser adolescente. eu acho. aí eu conheci a marli, a terapeuta que me ajudou a viver a tristeza sem desespero. comecei a lavar louça. comecei a escrever no dear diary, incentivada pela nati e pela catia. a marie tinha ido pra londres e depois para a frança. tive que me virar sem ela. a fer estava na alemanha. as pessoas desenhavam seu futuro ali, e eu me via presa ao passado. mas eu estava existindo. não sabia, mas eu estava desenhando meu futuro também. ainda que no mesmo lugar. assis.

Wednesday, April 09, 2008

o inverno de 2000

ontem, pouco antes de pegar no sono, já deitada e coberta por 1 edredon e 2 mantas, comecei a me lembrar do inverno de 2000. quem morou em assis certamente se lembra do inverno rigoroso que foi. naquele ano também tivemos o apagão do FHC, e era extremamente necessário que baixássemos a conta de luz a fim de não pagarmos um absurdo por excedermos um limite x de gasto com energia elétrica. enfim, não foi difícil. com aquele frio eu não tinha coragem de tomar banho todos os dias. nem fudendo! sendo um pouco mais honesta que o necessário, eu deixei de tomar banho por 4 dias. meu cabelo me entregava, afinal ele é misto: oleoso na raiz e normal - não seco! - nas pontas. apesar de fazer mais frio em curitiba do que em assis, tomo banho aqui todos os dias. acho que com o passar dos anos fui criando um comprometimento maior com minha aparência. dá vergonha sair de cabelo ensebado e ser chamada de dorme-sujo. voltando ao ano 2000: naquele ano uma moradora temporária se instalou em nossa república trazida pela catia. e essa moça é a karina. e a karina ficava com o cabelo mais sujo que o meu, mas não estava se importando também. lembro dela coçando o cocoroco com um gorrinho da catia! ou seria da fer? hum... sei lá.
usávamos meias sobre milhões de meias, muitas calças e blusas. gorros, cachecóis. e quando nada mais ajudava, fizemos uma mega cama na extensa sala do apartamento unindo todos os nossos colchões. assim, com a proximidade dos 5 corpos, nos aquecemos um pouco mais.
odeio frio, mas guardo ótimas lembranças desse inverno.

Tuesday, April 08, 2008

da vidinha, da lorena e das leituras poucas


parece-me que aprendi a escolher melhor. falo de coisas rotineiras. coisas pequenas do dia-a-dia. e o que é minha vida senão isso? coisas grandiosas não há. o que há é um sorrisinho aqui. um suspiro acolá. um pequeno prazer, como um beijo, um pedaço de bolo, um quilo a menos. e não que eu peça algo grandioso. está bem como está. grandes e fortes emoções me exaurem, e eu prefiro estar inteira com minhas coisas pequeninas. falando nisso, eu tinha em vídeo "o fabuloso destino de amelie poulain", mas eu o emprestei e nunca mais o reavi. eu não sou egoísta, vou logo emprestando tudo. muitas vezes sou eu mesma quem oferece meus objetos preciosos. faço isso com quem gosto, evidente. acontece, porém, que em algumas vezes as pessoas não me devolvem o que pegaram emprestado. preciso treinar o desapego. eu me apego a tudo.
ao me olhor no espelho, boto uma lente de aumento imaginária em meus defeitos. não, eu não sou bonita.
na adolescência, aos 15 mais precisamente, eu li as meninas, da lygia fagundes telles, e adorei. tanto que reli o livro outras tantas vezes. uma das personagens é a lorena. eu adorava a lorena. a lorena era eu. eu sendo descrita num livro. tá bom que a lorena era bailarina e rica... mas isso é detalhe. a lorena tinha as pernas bem fininhas, e se achava feinha. ouvia rock n' roll no quarto sozinha. e sozinha até que se achava um pouco bonita. inserida no mundo, ela se via sem graça. eu sempre fui um pouco lorena, nesse ponto.

desde que li esse livro penso em dar a minha filha que virá, se é que virá, o nome de lorena. é um nome que me encanta realmente. eu gostaria de me chamar lorena. o liro desgosta do nome. diz que lorena é nome de cidade feia e desimportante. ele prefere elisa. enfim... cada problema e/ou dilema a seu tempo.

às vezes penso que sou burra. burra, não: inculta. e sou mesmo. leio os livro que já li diversas vezes. estou lendo dom casmurro pela 4ª vez. assim sendo, não amplio a lista de livros lidos. é uma vaidade intelectual nojenta que persegue a mim. ela tortura, é cansativa. faz de mim pessoa constantemente insatisfeita. ler tem que ser por prazer, né? eu decidi que seria assim ao terminar a faculdade, mas há uma bibliografia assaz fastidiosa que seria interessante ler para a prova do mestrado do ano que vem. ser adulto é suuuper gostoso. sim, fui irônica. se vocês pudessem me ouvir...

Saturday, April 05, 2008


You are The Sun


Happiness, Content, Joy.


The meanings for the Sun are fairly simple and consistent.


Young, healthy, new, fresh. The brain is working, things that were muddled come clear, everything falls into place, and everything seems to go your way.


The Sun is ruled by the Sun, of course. This is the light that comes after the long dark night, Apollo to the Moon's Diana. A positive card, it promises you your day in the sun. Glory, gain, triumph, pleasure, truth, success. As the moon symbolized inspiration from the unconscious, from dreams, this card symbolizes discoveries made fully consciousness and wide awake. You have an understanding and enjoyment of science and math, beautifully constructed music, carefully reasoned philosophy. It is a card of intellect, clarity of mind, and feelings of youthful energy.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

Wednesday, April 02, 2008

o refrigerador


"O meu refrigerador não funciona

Eu tentei tudo

Eu tentei de tudo

Não funciona

Não, não, não

O meu, o meu

O meu refrigerador não funciona " (Os Mutantes)


não, eu não reclamarei sobre um refrigerador que não funciona, pois isso é coisa do passado. eu conto. foi assim. domingo minha mãe me ligou dizendo: "eu e seu pai queremos lhe dar um presente. você está precisando de uma geladeira, e queremos comprar uma pra você". eu fiquei boquiaberta por muitos motivos. trata-se de um presente caro, e eu iria gastar essa grana, pois a minha geladeira já não dava mais para agüentar. era um gasto inadiável. e os outros motivos que me deixaram boquiaberta são de ordem sentimental. eu não sei o que sentir quando ganho algo de alguém, pois normalmente não ganho coisa alguma. bate uma sensação estranha de "o que eu fiz pra merecer isso?". e eu não fiz nada, mas minha mãe me disse que eu merecia. agradeci mais de 30 vezes. e fiquei imensamente feliz. e logo depois um pouco triste. é que eu andava triste

mesmo por conta da vida. por conta da distância que há entre mim e minha mãe. na verdade, há uma distância entre minha mãe e três de sua filhas. a caçula (que não sou eu, sou a terceira das quatro) mantem com ela uma relação super forte de afeto e cumplicidade. e sim, eu sinto ciúmes. dá vergonha de falar sobre isso, dá vergonha de parecer infantil. dá vergonha de ser, lá no fundo, a filha que não é a preferida. se nem minha mãe me prefere, quem irá me preferir? é nisso que vinha pensando. tem tantas situações que vinham a minha cabeça... tantas mágoas... as mágoas que eu gostaria de esquecer para ser mais leve! eu vivi coisas de filme, ou seriado, tipo a betty, a feia... minha mãe certa vez comprou um hidratante de limão da natura para minha irmã, e um vasenol para mim. ela fica abraçada com a caçula minutos antes de partirmos para curitiba, e não comigo. elas se falam todos os dias, TODOS OS DIAS, por telefone. já nós duas nos falamos 1 vez por semana, às vezes 1 vez a cada 15 dias... ela conta coisas só para uma das filhas, para outras, não revela suas confidências. como se a gente não merecesse tamanha confiança. coisinhas que vão me doendo, e que me doem mais ainda por estar doendo, já que eu queria ser a mulher resolvida que entende perfeitamente que há, sim, afinidade maior entre elas e ponto. mães são seres humanos que têm lá suas preferências e afinidades, mesmo entre seus filhos. e como a marie certa vez disse, há coisas que entendo intelectualmente, mas não emocionalmente... mas, com o intuito de me livrar dessa mágoa, e pensando - porque eu acredito nisso - que meus pais não me devem nada, que já me deram amor e dinheiro enquanto eu era adolescente e que isso basta, mandei uma mensagem no celular deles dizendo que eu queria vê-los felizes, pois minha felicidade dependia disso. e disse "obrigada por tudo que sempre fizeram por mim". enfim, eis que minha mãe me liga, no dia seguinte, me oferecendo esse presente e dizendo que ela quer me dar porque eu mereço. e meu pai dizendo ao fundo que eu era " a mais bonita". ele sempre diz isso pra todas nós, hehehe! fiquei meio sem entender se ela encarou aquela mensagem como um tapa com luvas de pelica, tipo, " eu não faço nada por essa menina, e ela ainda me agradece", ou se ela nem pensou nisso. me faz mal pensar. fiquei triste após receber o bendito telefonema porque me bateu um remorso gigantesco por guardar tantas mágoas da minha mãe. eu me senti culpada por todas as coisas que senti. mas, ok, passou. hoje a geladeira chegou, branquinha, novinha, belezinha. fiquei super feliz. minha casinha está cada vez mais aconchegante. e eu tenho pais que não são perfeitos, mas que devem gostar muito de mim. que tentam acertar comigo. que não desistiram de mim. de quebra eu tenho gelo nas forminhas!