
dia típico na vida de uma menina de nome danielle nascida ao três do nove. típico porque eu precisaria ter dito não, e não disse. disse sim. sim querendo dizer não. sim querendo dizer não e, querendo também querer dizer sim. quisera eu ser do tipo disposta, topa todas, estamos aí, como eu costumava ser. acontece, no entanto, que me apeguei à rotina dos meus afazeres, referindo-me até mesmo àqueles mais banais. se eu não passo o fim-de-semana em minha casa, eu não sinto que descansei. sou uma senhora, não mais menina, cheia de manias. enfim, o que ficou é que eu disse sim. contento-me por, ao menos, fazer alguém feliz.
dia típico também porque hoje minha japa superiora me pediu desculpas por ter sido grosseira em certa ocasião. bem dizendo, ela pediu desculpas porque eu atentei-a para o fato de que ela estava novamente repetindo a grosseria. então, ela se desculpou com voz dócil. eu não sei ouvir desculpas e dizer: tudo bem. eu já começo pedindo desculpas também. digo que tudo tem dois lados, e que eu também isso, eu também aquilo. ai! sinto que ajo de forma completamente errada. no fim, assisti a essa mulher tentando reparar seus erros comigo.
às vezes eu facilito demais as coisas para que as pessoas saiam satisfeitas. é como se eu quisesse que elas pensassem: ai, como a dani é boazinha! já nem sei se isso é o que penso mesmo. seria eu naturalmente capacho, ou naturalmente humilde? fato é que sinto-me patética. e, patética, fui embora, passei em uma revistaria, comprei um cigarro avulso, traguei chorando um pouquinho. e fui pensando na hipótese de algum dia conseguir efetivamente passar a imagem de alguém adulto. alguém que se defende sem chorar. alguém forte. alguém que expõe suas idéias sem gaguejar. minha mãe sempre foi fera nisso, na tal da eloqüência. enfim, de qualquer maneira, fui sincera. eu, euzinha, apontei erros e falhas na coordenadora. gaguejando, com olhos cheios de lágrimas, mas eu falei. isso eu faço. eu sempre falo.
1 comment:
tbém chorei nessa semana, como já te falei; e pensei a mesma coisa; que gente grande não chora por trabalho e no trabalho, mesmo que escondidinho; mas será mesmo? tô achando que não...
love, sister
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