Wednesday, May 31, 2006
Podem me chamar de preconceituosa, porque eu mesma admito que sou.
- não gosto de mulheres na chefia. Prefiro os homens no comando, eles são mais sensatos, em geral.
- odeio sotaque nordestino, não entendo como as pessoas se levam a sério falando com aquele "sótaqui".
Refleti a cerca de tudo isso nessa manhã de quarta-feira, prelúdio de uma tarde estafante, passada ao lado de pessoas estafantes. Mas não vou me abalar. Meu espírito sairá de lá intacto. palavra de escoteiro.
Thursday, May 18, 2006
Hoje, vinha andando a caminho de casa, e pensando : "Minha vida é uma merda, minha vida é uma merda, minha vida é uma merda!". Merda, merda, não é. Mas é tanta insatisfação, tanta coisa que fica na lista do pretérito perfeito, portanto futuro condicional, que acho que minha vida está a beira da merda. Tudo que poderia ter sido feito e não foi. Ou tudo que eu deveria não ter feito e fiz.
Ao começar a escrever, julguei ser importante para mim mesma, falar a respeito disso. Mas agora que falei um pouquinho já me arrependi. Até eu mesma tenho preguiça de pensar sobre minha própria vida.
Nesse fim de semana encontrei na casa dos meus pais uma agenda de 1994. Tinha eu na época 13 pra 14 anos de idade. Foi uma diversão reler aquelas linhas, e também um pouco deprimente, pois eu já havia me esquecido de como eu era loser. Eu era uma menina promíscua em pensamentos. Gostava de três meninos de uma só vez, e não ficava com ninguém. Não por opção minha, porque eu era difícil! Por opção deles mesmo, que preferiam as outras... obrigada Jesus, porque daqui vejo que todos eles eram escrotos, ou se tornaram.
Tenho a impressão que hoje, aos vinte e cinco anos, eu continuo mais ou menos a mesma pessoa insegura que só reclama da vida. Esse blog é um revival, sou eu, versão adulta, com as mesmas inquietações dos idos anos 90. nauqela época eu já achava a vida uma merda.
Ao começar a escrever, julguei ser importante para mim mesma, falar a respeito disso. Mas agora que falei um pouquinho já me arrependi. Até eu mesma tenho preguiça de pensar sobre minha própria vida.
Nesse fim de semana encontrei na casa dos meus pais uma agenda de 1994. Tinha eu na época 13 pra 14 anos de idade. Foi uma diversão reler aquelas linhas, e também um pouco deprimente, pois eu já havia me esquecido de como eu era loser. Eu era uma menina promíscua em pensamentos. Gostava de três meninos de uma só vez, e não ficava com ninguém. Não por opção minha, porque eu era difícil! Por opção deles mesmo, que preferiam as outras... obrigada Jesus, porque daqui vejo que todos eles eram escrotos, ou se tornaram.
Tenho a impressão que hoje, aos vinte e cinco anos, eu continuo mais ou menos a mesma pessoa insegura que só reclama da vida. Esse blog é um revival, sou eu, versão adulta, com as mesmas inquietações dos idos anos 90. nauqela época eu já achava a vida uma merda.
Galeria
Wednesday, May 17, 2006
Antes de iniciar as reclamações a respeito desse 17 de maio, quero dizer que estou gostando de viver. Acordo cedo, como torradas com mel, cereais, e tomo um café. As horas têm sido serenas passadas ao lado dele; e o riso, esse que é bom, rejuvenesce e relaxa os músculos contraídos, sai fácil.
Tudo soa como num comercial de margarina, mas o fato é que é. Tenho sim, uma vidinha de comercial de margarina!
Mas existe, além das portas de casa, o mundo. O mundo cruel que precisa de mim para girar e do qual preciso para poder também seguir. Não há como fugir do mundo que há da porta pra lá. E é com pesar que constato que, infelizmente, não há como ausentar-me dele.
Hoje, na saída da aula dos pequenos, uma mãe de um aluno da 1ª série questionou-me a respeito de minha atuações profissionais prévias, bem como, e por conseguinte, de minha competência. O modo como as pessoas abordam as outras, desafiando-as com desdém, na certeza de que não vencerão seu desafio me aborrece. Para burro, como diria Daniela Moreira. Eu não sei nem conversar com pessoas assim. Não sou desse tipo de gente. Odeio constangir os outros, colocá-los diante de situações embaraçosas gargalhando por dentro.
Também não sou do tipo de gente que deixa os problemas referentes ao trabalho em seu local de trabalho após o expediente. Eu os levo comigo. Minha auto-estima declina, e a expressão chateada, triste até, substitui o sorriso de então.
Por isso não gosto do mundo. Existem boas coisas também, mas a meu ver, quase tudo lá fora é chato. Ruim. margarina sem sal. Margarina MESA.
Tudo soa como num comercial de margarina, mas o fato é que é. Tenho sim, uma vidinha de comercial de margarina!
Mas existe, além das portas de casa, o mundo. O mundo cruel que precisa de mim para girar e do qual preciso para poder também seguir. Não há como fugir do mundo que há da porta pra lá. E é com pesar que constato que, infelizmente, não há como ausentar-me dele.
Hoje, na saída da aula dos pequenos, uma mãe de um aluno da 1ª série questionou-me a respeito de minha atuações profissionais prévias, bem como, e por conseguinte, de minha competência. O modo como as pessoas abordam as outras, desafiando-as com desdém, na certeza de que não vencerão seu desafio me aborrece. Para burro, como diria Daniela Moreira. Eu não sei nem conversar com pessoas assim. Não sou desse tipo de gente. Odeio constangir os outros, colocá-los diante de situações embaraçosas gargalhando por dentro.
Também não sou do tipo de gente que deixa os problemas referentes ao trabalho em seu local de trabalho após o expediente. Eu os levo comigo. Minha auto-estima declina, e a expressão chateada, triste até, substitui o sorriso de então.
Por isso não gosto do mundo. Existem boas coisas também, mas a meu ver, quase tudo lá fora é chato. Ruim. margarina sem sal. Margarina MESA.
Monday, May 08, 2006
Dentro em breve esticarei meu corpo sobre a cama e tenatrei simplesmente descansar, pois minha cabeça está prestes a fundir de tanto pensar cá com meus botões em como fazer meus alunos terem um mínimo de interesse em minha aula. Não sei se isso é algo impossível de se conseguir, mas eu vou tentar. Problema grande também é o fato de isso me consumir o dia todo, o tempo todo. Decidi que quero que tudo seja diferente e não relaxo, não penso em outra coisa. Parar de ser obsessiva, variar os pensamentos, não me fixar em um só, eis aí o que eu deveria fazer. Ai, a monomania! Ao menos é algo construtivo. Espero.

Ontem fomos ao cinema e não realizamos fuga alguma. Encaramos toda a sessão de "O segredo de Brokeback Moutain", ainda que nossos estômagos roncassem. Alto, por vezes. E aquelas bixas bonitas do filme comiam direto ovo frito, que é algo tão suculento, delicioso; que me remete a lebranças da infância... aquela doce época em que o Maluf era governador e que só tinha mesmo ovo na geladeira, e as verduras da horta do meu pai...
Ontem fomos ao cinema e não realizamos fuga alguma. Encaramos toda a sessão de "O segredo de Brokeback Moutain", ainda que nossos estômagos roncassem. Alto, por vezes. E aquelas bixas bonitas do filme comiam direto ovo frito, que é algo tão suculento, delicioso; que me remete a lebranças da infância... aquela doce época em que o Maluf era governador e que só tinha mesmo ovo na geladeira, e as verduras da horta do meu pai...
Sunday, May 07, 2006
Da previsão do tempo a RC
O outono mais frio do qual me recordo é esse que enfrentamos nesse ano de 2006. A luz do sol se compara a uma luz de geladeira, que só ilumina, mas não aquece. O frio não tem me incomodado, por enquanto ao menos. O calor do verão passado foi tão intenso que eu estava ansiosa com a chegada de temperaturas mais baixas.
Será meu primeiro inverno de mulher casada. O primiro inverno em que as noites frias não serão tão frias, pois tenho minha cama de casal branca, com cobertores de casal, e eis que eu sou parte integrante do casal que na cama dorme.

Faz parte do sonho de qualquer romântico dos litorais desse oceano atlântico fantasiar noites frias, aquecidas pelo corpo da pessoa que você ama. Eu, enfim, faço parte dessa massa, desse povo que sonha em amar sem limite. Mas nunca baixei nenhuma música do rei Roberto Carlos. Sou romântica, mas com dignidade, façavor...

A trindade da Jovem Guarda: ternurinha, o Rei e Tremendão.
Eu não entendo essa adoração toda pelo Roberto Carlos. Quer dizer, posso entender porque as senhoras de meia idade o idolatram. Mas não entendo esse povo indie que resolveu achar RC grande e genial. Será que RC é algo vintage? Será que pega bem? Não me interessa. Ele está cada dia mais Tim Tones, meio gospel. E também meio caminhoneiro.
Será meu primeiro inverno de mulher casada. O primiro inverno em que as noites frias não serão tão frias, pois tenho minha cama de casal branca, com cobertores de casal, e eis que eu sou parte integrante do casal que na cama dorme.

Faz parte do sonho de qualquer romântico dos litorais desse oceano atlântico fantasiar noites frias, aquecidas pelo corpo da pessoa que você ama. Eu, enfim, faço parte dessa massa, desse povo que sonha em amar sem limite. Mas nunca baixei nenhuma música do rei Roberto Carlos. Sou romântica, mas com dignidade, façavor...

A trindade da Jovem Guarda: ternurinha, o Rei e Tremendão.
Eu não entendo essa adoração toda pelo Roberto Carlos. Quer dizer, posso entender porque as senhoras de meia idade o idolatram. Mas não entendo esse povo indie que resolveu achar RC grande e genial. Será que RC é algo vintage? Será que pega bem? Não me interessa. Ele está cada dia mais Tim Tones, meio gospel. E também meio caminhoneiro.
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Poema também do Drummond. Porque hoje a ausência deles todos me faz companhia.
Saturday, May 06, 2006
memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
vidinha
Eu gosto de ir ao supermercado fazer compras. Para muitas pessoas esse programa/tarefa/dever/necessidade pode parecer enfadonho ou desgastante. Não sei. O fato é que sinto prazer percorrendo os corredores todos.
Fiz uma compra mixuruca com meu vale mixuruca. Mas é gostoso ainda assim, mesmo que eu saia do supermercado com poucas sacolas.
Trouxe queijo tipo cheddar, xampu, condicionador, barra de cereais, leite fermentado ACTIVIA porque eu preciso cagar. Enfim, eu saí de lá numa manhã ensolarada e fria, com as sacolinhas, ouvindo Travis no discman, cortando as várias ruas até minha casa com uma sensação muito boa. Sensação de que eu sei me cuidar. Cada dia um pouquinho mais. Às vezes retrocedo e faço bobagem ou penso bobagem, o que é mais comum. Mas eu estou me cuidando, sim.

Isso me importa bastante, porque eu acho que me levou muito tempo e esforço até que eu compreendesse a importância de algumas coisas, como ter uma vidinha. Sabe "vidinha"? Um estilo de vida regrado e gostoso, com geladeira cheia, calor humano, música na casa no domingo... o supermercado me traz uma sensação de que eu pertenço a essa vidinha.
Fiz uma compra mixuruca com meu vale mixuruca. Mas é gostoso ainda assim, mesmo que eu saia do supermercado com poucas sacolas.
Trouxe queijo tipo cheddar, xampu, condicionador, barra de cereais, leite fermentado ACTIVIA porque eu preciso cagar. Enfim, eu saí de lá numa manhã ensolarada e fria, com as sacolinhas, ouvindo Travis no discman, cortando as várias ruas até minha casa com uma sensação muito boa. Sensação de que eu sei me cuidar. Cada dia um pouquinho mais. Às vezes retrocedo e faço bobagem ou penso bobagem, o que é mais comum. Mas eu estou me cuidando, sim.

Isso me importa bastante, porque eu acho que me levou muito tempo e esforço até que eu compreendesse a importância de algumas coisas, como ter uma vidinha. Sabe "vidinha"? Um estilo de vida regrado e gostoso, com geladeira cheia, calor humano, música na casa no domingo... o supermercado me traz uma sensação de que eu pertenço a essa vidinha.
a morte dos avós

Hoje é o dia em que eu não merecia estar sozinha.
Estou aqui com as lembranças de gente querida que se foi, com preocupações a cerca de gente muita querida também.
Estou aqui em casa num sábado à noite, como de costume, me sentindo muito sozinha e assustada com as coisas que minha cabeça pode pensar.
É em momentos assim que eu queria ter de volta meus avós, minhas amigas que estão muito longe de mim, minha família toda.
Não tenho mais aquela loucura de sair à noite, na garupa de um motoboy, a procura de uma mesa de bar com conhecidos, o que é bom. Porque ainda que eu esteja precisando de gente, eu me encontro dentro de minha casa. Aqui eu me cerco e me protejo. Aqui é o lugar ao qual pertenço, o lugar pra onde o Liro vai voltar depois de seu expediente.
Eu não preciso de "gente", aliás. Eu precisava é do meu avô, da minha avó, dos meus pais, das minhas irmãs e sobrinhos pra me alegrar. Não é qualquer pessoa. E como eles não estão no Café Brasil, não há porque sair daqui. Eles não estão nessa cidade.
Meus avós não estão em lugar algum. Só a imagem deles aqui em minha memória, nos retratos, em sonhos, sons, cheiro de bife. Em coisas assim.
Estou chorosa hoje, morta de saudade, com um monte de abraços acumulados que nunca pararão de acumular. Nunca mais darei abraços na Anita e no Oscar.
Eu me sinto uma criança, deduzindo aos poucos o que a morte significa. As implicações que ela traz.
Morte nos impede de saciar saudade. E por isso a morte deles leva um pedaço meu para esse lugar escuro - ou iluminado - que não está no mapa, que eu não sei onde fica.
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