
Hoje é o dia em que eu não merecia estar sozinha.
Estou aqui com as lembranças de gente querida que se foi, com preocupações a cerca de gente muita querida também.
Estou aqui em casa num sábado à noite, como de costume, me sentindo muito sozinha e assustada com as coisas que minha cabeça pode pensar.
É em momentos assim que eu queria ter de volta meus avós, minhas amigas que estão muito longe de mim, minha família toda.
Não tenho mais aquela loucura de sair à noite, na garupa de um motoboy, a procura de uma mesa de bar com conhecidos, o que é bom. Porque ainda que eu esteja precisando de gente, eu me encontro dentro de minha casa. Aqui eu me cerco e me protejo. Aqui é o lugar ao qual pertenço, o lugar pra onde o Liro vai voltar depois de seu expediente.
Eu não preciso de "gente", aliás. Eu precisava é do meu avô, da minha avó, dos meus pais, das minhas irmãs e sobrinhos pra me alegrar. Não é qualquer pessoa. E como eles não estão no Café Brasil, não há porque sair daqui. Eles não estão nessa cidade.
Meus avós não estão em lugar algum. Só a imagem deles aqui em minha memória, nos retratos, em sonhos, sons, cheiro de bife. Em coisas assim.
Estou chorosa hoje, morta de saudade, com um monte de abraços acumulados que nunca pararão de acumular. Nunca mais darei abraços na Anita e no Oscar.
Eu me sinto uma criança, deduzindo aos poucos o que a morte significa. As implicações que ela traz.
Morte nos impede de saciar saudade. E por isso a morte deles leva um pedaço meu para esse lugar escuro - ou iluminado - que não está no mapa, que eu não sei onde fica.
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