Por mais que o desemprego e a conseguinte dependência financeira dos meus pais me sufoquem, eu não posso negar que muita coisa aqui dentro de mim grita feliz pela liberdade que é não adentrar uma sala de aula, toda santa ou maldita manhã para falar sobre coisas que ninguém quer ouvir. Viver em função de algo que não interessa às pessoas é tão frustrante, tão desgastante... Há sim pessoas satisfeitas com seus cargos de profesores, mas eu, que sou taxativa e talvez tapada ou cabeça fechada (faço isso, essa auto-flagelação, para proteger-me de alguma possível crítica a essa generalização), as classifico da seguinte forma:
- pessoas "sai baba": como a minha amiga Sofia, que acha nobre passar conhecimento adiante, e é sincera. Usa da pedagogia do carinho, tudo muito gostosinho e sublime, só que detalhe: ela é a única pessoa que se encaixa nessa categoria, todas as outras se encaixam nas três listadas abaixo:
- pessoas que têm cônjuge com grana: como vááárias amiguinhas, graças a Deus, ex-amiguinhas de trabalho;
- pessoas mentirosas: que pagam de altruístas mas não me convencem, porque EU sei o que é dar aula, e sei que elas se fodem pra caramba;
- pessoas que não conseguiram outro emprego: são pessoas tristes, pois dar aula não é sonho de ninguém que eu conheço. Veja bem, que eu conheço... das outras não sei.
O problema é não estar livre da possibilidade de voltar para essa realidade, já que uma hora ou outra precisarei de um ofício. Mas eu espero, em nome dessa parte de mim tão feliz que vibra por ter tido a coragem de abandonar a pedagogia do opressor, do oprimido, do carinho, do caralho, e viver de outra coisa. É só isso, não sou tão exigente, quero outra coisa. Qualquer outra coisa. Outras coisas. Não seria mais legal?
1 comment:
Oi Dani, aqui é Pipa! Achei seu blog pelo da Marie... Me identifiquei TANTO com o que você diz aqui. Fiquei um ano dando aula numa faculdade e apesar de ser o emprego que eu considerava ideal, no começo foi um caos total até eu conseguir tomar as rédeas. Depois disso, descobri a tradução que dá mais grana e não tem relação aluno-professor, o que é óóótimo.
Talvez seja uma idéia pra você, sei lá.
Beijos
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