às vezes eu temo por mim. e sinto pena. sinto mesmo. porque eu tenho certeza de que me perdi lá pelos 16 anos. eu era apaixonada por várias coisas, a vida era grande a minha frente, e eu podia ser quem eu quisesse. mas hoje eu sou professora. você pode rir, mas eu estou com os olhos cheios d´água. eu sou uma porra duma professora. e meus talentos atrofiaram-se.
não era raro ouvir comentários a respeito de meu brilho, inteligência. eu nunca acreditei que possuísse brilho, glitter, sapiência, nem nada, só que hoje eu me comparo com a menina que fui e acho que eu era muito mais legal. para uma menina de 16 anos eu era muita coisa: já falava inglês fluentemente, fazia teatro, natação, lia prosa e poesia (e entendia o que lia), ouvia música clássica fazendo exercícios de matemática, eu tinha a habilidade de fazer todas as pessoas da minha sala rir dos meus comentários, e construía amizades.
aos 27 eu falo inglês fluentemente. e é basicamente isso. eu vivo disso.
eu sou pouco. eu sinto que devo coisas a mim. mas o mundo não me interessa muito, e não digo isso como quem bota uma banca de arrogante, blasé... eu não queria ser assim, mas isso é a moça que sou.
não quero mais falar sobre isso. preciso fazer carinho em mim, não me detonar. eu disse carinho, mas não vou me masturbar, não. relaxem. é que a minha terapeuta dizia, "controla essa sua própria mãozinha que fica te batendo". só que eu não consigo...
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