
férias aproximando-se. expectativa dentro do peito. eu odeio ter que sair de casa. vou lá e faço as coisas porque há necessidade de que isso aconteça para a minha sobrevivência. só que pra ser sincera acho super chato sair, pegar o ônibus lotado, depois pegar outro ônibus. quando chega a hora da aula o tempo passa realmente mais rápido. em seguida tem intervalos, interação entre pessoas na sala dos professores, conversinhas robóticas aqui e ali. mais aula e mais ônibus. e ao chegar em casa ele já não está. e começa tudo de novo. ai, é cansativo descrever a rotina quanto mais vivê-la. sei lá. não queria me queixar, mas queixar-se da vida é tão automático pra mim! quando vejo, tô lá eu novamente me queixando. e eu sei também que minha vida é boa. sei sim. eu sinto culpa por me cansar tanto. fico achando que há algo de errado nisso. por que eu não sou uma daquelas pessoas que acorda e se alonga gostoso na cama, abre a janela para deixar o sol entrar, prepara um café e o SABOREIA (não engole como eu), e depois vai com aquele sorrisinho de gioconda pro trampo? por que eu não tenho essa disposição pra vida? e se eu não tenho por que não mudo tudo isso? enquanto eu fico pensando se é normal achar que é chato trabalhar, vou me aproximando do fim do ano. olho para trás e respiro aliviada. esse ano foi um ano bom, astrologicamente falando. de repente os planetas e as paradas todas lá no céu convergeram de uma maneira tal que propiciou uma sequência de histórias harmoniosas entre si. e elas aconteceram comigo. sinto como se eu estivesse começando a viver. não há problema em não saber se gosto ou não da vida que levo. eu sou jovem. em dez anos ainda estarei jovem, e até lá eu vou descobrir um jeito de as coisas serem doces. talvez a vida agridoce assim é que seja uma vida. tudo mais é sonho de menina.
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