
uma vez eu disse à helô que o que havia de positivo no sofrimento era o fato de que, através dele, detínhamos a sensibilidade - não o conhecimento - necessária para entendermos clarice lispector, proust. aqui, sozinha, me lembrei disso. e acrescento que essa sensibilidade não é obtida facilmente. são necesárias sequências de manhã sem sentido. tardes intermináveis. e noites de agonia que só a verdade traz. acho que é essa carga que nos aproxima de livros, filmes, canções.
há quem tenha a sorte de não sofrer demais. cá comigo, penso em vinícius. " a vida só se dá pra quem se deu/ pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu".
é bonito recomeçar do ponto que já fora abismo. é essencial saber-se capaz de seguir as horas, quando o insatnte anterior lhe atrai mais que o futuro e toda a graça e desgraça que há nele.
tem que sentir.
não tomo mais calmante. deu medo perceber-me covarde, experimentei ser valente. e a vida me deu muito.
há quem não suporte. eu fiz manha, quis reverter o irreversível, como fosse super-homem recém-saído da cabine, pronto pra girar a terra ao contrário. mas eu aprendi de paulo honório a resignação.
falta-me carga pra compreender muita coisa ainda. falta-me entender a paixão segundo g.h.. queixei-me de baratas! catia frávia, você já entendeu? a vanessa do i blefou. lembra?
só dá pra entender algo externo que exista em você. eu me reconheço nas coisas de que gosto. eu identifiquei um pedaço meu nas músicas que aqui mostro. em alguns poucos livros. nas minhas amigas. nele.
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obrigada por não me enlouquecer, por viver se encostando em meu corpo, por sorrir feliz quando eu chego em casa.
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