Thursday, October 16, 2008

1986



minha vida social foi impulsionada logo que minha mãe me matriculou no colégio sagrado coração de jesus em 1986. até então eu costumava brincar sozinha, por vezes desenhando pessoinhas com roupas bonitas, por outras brincando na construção da nossa futura casa. a partir do momento que passei a frequentar a escola conheci muitas outras crianças. essas muitas outras crianças não eram super legais, não. eu andava com uma menina gordinha que se chamava juliana, e a juliana era uma menina do canto, tipo eu. havia as outras meninas, e essas outras eram ricas e famosas desde a infância. uma delas era uma vaquinha de nome marcinha. a marcinha era loirinha e de olhos verdes, e para piorar, o leandro gostava dela. e eu gostava do leandro. o leandro nunca soube do meu apreço por ele, pois lá no prezinho eu entendi o que poderia ser amor não correspondido. rejeição.

o leandro era um coxinha, criado a leite com pera. tinha o cabelinho lambido pro lado e usava a camiseta do uniforme por dentro da bermudinha. mas ele era brilhante, e isso me atraía nele. a única vez que ficamos próximos foi na nossa formatura. eu havia sido previamente escolhida como a menina que melhor lia na sala. o leandro foi o menino escolhido. e então, lá na frente da galera, dos pais da galera, nós lemos qualquer coisa a respeito de ensino-aprendizagem e de jesuis. eu tenho uma foto disso. enfim, eu nem ía falar sobre o leandro e a marcinha. iria discorrer a respeito do fato de que eu sempre me identifico com pessoas que não têm a auto-estima muito elevada (tipo a juliana). tem de haver aí um equilíbrio, porque gente que se auto-flagela também é muito chato. eu sempre fui assim, mas estou tentando melhorar. na 6ª série minha grande amiga patrícia virou a cara pra mim porque ela disse que eu era tão complexada que ficava chatíssima. sofri muito, mas dá pra entender perfeitamente a patrícia. só que eu também não suporto quem se acha muito gostosa e atraente. quem se acha muito inteligente e culta e perspicaz. tem que haver alguma fragilidade para que eu entenda o outro como um ser humano sem frescura. para que eu me apaixone. diz pra mim que você tem um irmão meio zarolho, problema na família, ou pereba e eu vou acreditar na pessoa que você diz ser, que você mostra. eu não posso me explicar, eu só gosto mesmo de gente assim. por isso eu nunca seria amiga da marcinha! jamais!

3 comments:

Ana M said...

adorei o relato, fia! ó, só que Jesuis tem que ser com o 'j' mauísculo, fia! me inspirei a escrever sobre isso tbém, os primeiros anos. depois que escrever te mando.
bisou

Ana M said...

ahhhh! descobri pq vc gosta de mim! pq tenho pereba!!! pobrema na família, então, nem se fala... só falta um irmãozinho zarôio...

love, bisou

P a t r i c i a said...

ahaha, adorei!!!
Eu também nunca fui amiga das marcinhas. aliás, sempre que fui deixei logo de ser porque não tinha graça. Talvez a graça esteja na desgraça, será?! UI!
Beijim,
Pipa zarolha =)

(O Camões também era, tá?!)