Wednesday, May 13, 2009

como é duro trabalhar, como diria o poeta

acho que nunca passei um dia da minha vida sem me preocupar diariamente desde que comecei a trabalhar. ser independente desde cedo é algo que, definitivamente, não exigirei dos meus filhos. meus pais não me pediram para trabalhar aos 18 anos, mas eu, tontona, fui atrás de emprego. resultado é que eu não desfrutei da doce irresponsabilidade característica dos jovens universitários.
eu nunca fui uma jovem irresponsável, ainda que para alguns eu tivesse a fama.
eu tentei conciliar a minha porção locona com o fardo que é trabalhar de segunda a sábado, à tarde e à noite + faculdade de manhã. ir estudar na biblioteca da unesp à tarde, assistir aos fimes culturetes no salão de atos, despirocar no bosque o dia todo, tomar várias no extensão no fim da tarde são algumas das coisas que não fiz. eu tinha invejinha das meninas lá de casa que podiam se reunir no fim da tarde para tomar café. eu morria de vontade de estar junto. quisera eu poder ler muito ou coçar o saco que não tenho, mas que, ironicamente, vive cheio. ao invés disso, vivia ocupada entre ser uma professora menos medíocre e uma aluna mediana.
descobri recentemente que começar a trabalhar desde cedo foi um erro. sempre disse me orgulhar de minha independência financeira precoce, mas é mentira. eu bem poderia ter mamado nas tetas dos meus pais por mais alguns anos antes de tirar minha carteira de trabalho. todo mundo que fez isso está melhor que eu hoje em dia. só lamento.
em vão, tento acertar, mas meu dedo é podre.
eu nunca tomei chá de cogumelo com medo de ir trabalhar alucinada. agora já era, que tomar chás diferentes perto dos 30 é algo digno de pena.

4 comments:

Patricia said...

Dani, isso me fez pensar tanto que nem sei o que dizer. Não sintetizei...
Talvez depois escreva sobre isso.
Vim só pra dizer que estou por aqui, afinal, não gosto muito dessa história das pessoas lerem e irem embora sem nem dizerem oi. Hunf.
Love,
Pipa

Ana M said...

ai, fia, sabe o que eu penso? que a gente sempre lamenta e sempre vai lamentar, seja lá pelo que fizemos ou pelo que deixmaos de fazer.
eu me lamento por não ter ido trabalhar antes, por não ter aprendido a lidar com o cão do mundo antes e ser hoje uma adulta quase infantilizada no mundo do tripalho.
lamento por não ter estudado mais, por ter despirocado tanto, por ter andado demais no bosque, por ter perdido tanto tempo no ex-tensão.
ai, eu lamento...
fico aqui pensando: quem é que não faria diferente se pudesse voltar lá atrás? quem?

te amo, garota!
bisou

Julia said...

Nossa, Dani... Me deu até uma coisa pq sinto exatamente igual! Sabe, eu sempre tive fama de louca e irresponsável, mas também nunca fui. Comecei a trabalhar também aos 18 e, enquanto minhas amigas despirocavam eu ia dormir mais cedo porque trabalhava no dia seguinte, inclusive se este dia fosse sábado, e até domingo. Apesar da fama, no fundo eu sempre fui bem careta e certinha, nunca faltei do trabalho sem motivo e até quando extraí meu dente do ciso e recebi um atestado que me assegurava 2 dias de folga, fui do consultório direto pra loja onde trabalhava... Hoje também sinto falta de ter sido mais irresponsável, de ter pirado um pouco mais e me preocupado um pouco menos, porque as histórias que eu mais gosto de contar são aquelas em que eu fui pouco ajuizada ou responsável ( como por exemplo o lance da argentina).
Hoje eu não estou trabalhando e estou "mamando" novamente nas tetas dos meus pais, mas agora já é tarde, uma vez que se cria juízo, fica difícil deixar de usá-lo...

Eu te entendo perfeitamente!

On the Road said...

Ai gata, tô chorando lendo o Brog, Daniel e tudo mais. Tenho que dizer que levei a vidinha universitária da mesma forma e ainda tinha mãe para checar o bafo. Tomo chá doquerfor com vc se a gente arcar. Fiz isso no velho continentee não sei se sou melhor ou pior do que isso.Não é nada mediocre querer isso nessa idade. Sempre penso que alguma vantagem as Marias aqui levaram de ter feito o curso tão cedo e estar no mercado tão cedo. Se não pensar isso, desisto. O jeito é não lamentar o trabalho de segunda a sábado e tentar viver mais intensamente qdo não há trabalho, porque as pessoas se vão de uma maneira ou de outra. Vou parar de chorar agora e ir para festinha de aniversário. beijos e te amo