Thursday, September 24, 2009

do 18 de setembro

sofria de dores abdominais há 5 dias. dores ininterruptas que não me deixavam sequer comer, dormir ou trabalhar. chorava gritando, "minha vida tá indo embora, liro...". não sabia eu que não era mais uma de minhas hipérboles. no 5° dia, então, após a ecografia, o médico me mandou que corresse ao hospital e procurasse por um certo doutor joão. chego lá e esse joão me diz: você deve ser operada com urgência. hoje. explico: minha vesícula estava necrosada e em 2 dias, no máximo, o orgão podre estouraria dentro de mim infeccionando meu sangue e tudo. infecção generalizada. eu poderia morrer. operei. na manhã seguinte, sozinha no quarto do hospital, leio o seguinte numa mensagem em meu celular: trago más notícias: daniel zanin morreu. sandro. na noite anterior eu perdera a vesícula gangrenada e renascia, mas meu melhor amigo morria num acidente de carro. pesadelo. não pude e ainda não posso chorar muito porque minha barriga dói. choro, então, comedida. para que a barriga não doa, para que os meus não desanimem por mim, e porque, eu sei, o daniel preferiria assim. sofro serenamente essa perda que é o daniel (vírgula), meu grande companheiro. menino que botava apostos depois de cada nome citado, e que tocava em meu violão seus heavy metal e o bom travis, além daquelas do oasis. aquele que bebeu lamentos e alegrias e que me elogiava sempre sempre. passava a noite em casa num colchão ao lado da minha cama, comendo pipoca e vendo corujão. meu querido...
e a vida segue. coincidência mórbida ele ter ido e eu que quase fui junto. só que acontece que eu fiquei. eu com minhas saudades que me fazem companhia: meus avós e o daniel. minhas irmãs - a gabi foi impecável ao meu lado, meus pais - que deram a maior grana preta pra minha operação - , meu marido - que me dá comida, me dá banho, me leva ao banheiro, sofre comigo, se alegra com meus progressos, me ama. eu vou ficar bem. eu estou bem. daniel está mais vivo do que nunca em mim. e eu mesma estou mais viva do que nunca.
eu acho que daqui pra frente serei menos lamentos. é fácil: basta me lembrar do hospital, das dores, e a rotina fica doce-doce. a vida é um doce, vida é mel. com pontos e dreno, não faz mal. com cicatrizes que ficarão na barriga. não faz mal. são coisas da vida.

5 comments:

Ana M said...

meu deus, meu deus, meu deus dani!, tô terrificada. vou acender um cigarro, ai, jesuis! nem sei o que dizer agora, pq preciso digerir tudo isso. e olha aqui: se vc morrer eu te mato, viu! nem pensa em me deixar aqui sozinha!! se vc morrer eu vou buscar vc de volta!!
te amo
bisou

Anonymous said...

ah minha querida, nem consegui falar com vc direito aquela noite.. a pobreza me consome e tinha poucos créditos no celular. mas quero que vc saiba que eu eu te amo muitão, viu? E como a ana disse, nem pense, nem sonhe em nos deixar aqui sozinhas! queria poder estar mais perto nesses momentos, te ajudar nas coisas práticas da vida, como ir pagar contas, arrumar a casa, fazer escova nesse seu cabelo lindo, pra que vc pudesse descansar bem bonita! rs Enfim, a vida não é tão cruel quanto os hospitais, mas ainda assim ela ás vezes nos impossibilita de realizar nossos desejos, e saiba que é por isso, apenas por isso, que eu não estou aí com vc.
Tente digerir as coisas ao poucos, eu realmente não sou muito boa pra dar conselhos com relação a morte, pq eu ainda não aprendi a lidar com ela.
Por favor, cuide-se direitinho por aí, pra que a gente possa rir de tudo isso num futuro bem breve. parabéns pela força e pela coragem de enfrentar esse momento ruim com otimismo. Isso vai passar e será tudo doce novamente.
amo vc!!
muitos beijos, Helô.

Julia said...

Nossa, Dani! Fiquei tão feliz de receber seu comentário, ainda mais porque estou com muitas saudades de ler as coisas que escreve, mas a alegria durou só até eu ler seu último post... Que foda, né? Foda perder gente querida, que faz falta na vida da gente, e mais foda ainda perceber que a gente mesmo não vai durar pra sempre... Não sei muito o que dizer nessas horas, mas fico feliz de, ainda que muito indiretamente, trazer algum conforto nesse momento tão chato da sua vida.
Engraçado como eu gosto de vc, sabe? Acho que é do tanto que a Helô sempre gostou de vc e eu dela, embora tenhamos tido dificuldades, e do tanto que eu sinto falta das minhas amigas que estão longe, e vc também... Lendo seus relatos eu sentia como se fosse uma amiga muito próxima me falando que sente as mesmas coisas que eu: saudade, insegurança, solidão e alegria nas pequenas coisas, que pra muitos parecem tão tolas...
Enfim, talvez sejamos pessoas totalmente diferentes, mas em alguma coisa somos iguais, e essa alguma coisa é justamente quem eu sou de verdade mais verdadeira!
Vou adorar te encontrar no fim do ano, com toda certeza! Há algum tempo, não estava muito feliz e me deu vontade de fugir de mim... pensei que um dia vou ser cara de pau e me convidar pra te visitar! Hahaha! Bem sem noção, né, mas foi o que eu senti. De certa forma eu sinto saudade de ter sido sua amiga de carne e osso. Estranho, né? Vc já sentiu alguma coisa do tipo? As vezes tenho saudade de coisas que não vivi.
Bom, espero que vc fique bem rápido, e que aproveite este tempinho off pra descansar e ser muito paparicada, que tudo tem seu lado bom... Um grande beijo pra vc, querida!

F said...

Eu amo você!

On the Road said...

Olha, vamos ser poliana ao áximo aqui. fico uito feliz de tudo ter dado certo. Sendo agnostica com um pé no espiritismo, o Daniel está bem cara. Fiquei três dias com uma dor horrível depois da notícia...
beijos