Saturday, December 23, 2006

De Matilde para Maria

Nessa manhã nublada, véspera da véspera de Natal, recebi seu cartão de Natal. Os Infalíveis Cartões de Maria. Desde 1998 recebo os infalíveis cartões de minha Maria.
Eu sou esquisita, Maria. Não acredito em Deus, não acho nada de Jesus Cristo, pouco sei de crenças e milagres, mas eu sonho com o dia em que terei um Natal de filme tipo Sessão da Tarde.
Talvez o Natal só seja mágico para as crianças, e logo, meu tempo já foi. Mas nem quando pequena meus Natais eram assim, bonitos. Eu sempre soube que o Papai Noel não existia porque a grana era tão curta que meus pais não eram tolos de nos iludir, né? Eu ganhava biquíni no Natal. Sempre. Porque Natal era época de ir à praia. E acho isso bem legal.
Na minha casa também nunca teve pinheirinho de Natal. Eram samambaias natalinas, o que meu pai julgava ser mais apropriado para o Natal brasileiro e tropical. Hoje eu acho isso muito louco, mas na época eu tinha vergonha. Por que eu não tinha um pinheirinho como todo mundo, né? Sacanagem...
Só sei que hoje nem samambaia natalina tem. Nem biquíni. Nem praia. Esse ano nem ceia vai ter. Eu vou cozinhar alguma coisa porque minha mãe não faz questão.
Do Natal bonitinho Sessão da Tarde só restaram seus infalíveis cartões. Obrigada, Maria. Mesmo que você seja assim como eu, descrente, me mande cartões de Natal, sim? Eu adoro, assim como luizinha piscando no Natal. É digno.
Maria, vou te contar: vou morar em Curitiba. Você irá me visitar?
Amor,
Matilde.

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