O corre-corre me cansa pra caramba. Se não cansasse também não se chamaria corre-corre. Mas foi um dia cheio de coisinhas delicadas aqui e ali.
De fato, meu namorido é um primor. Dá mancadas como qualquer ser humano verdadeiro, mas ainda assim... é um primor. A desavença da segunda-feira juntamente com seus choros, pingos de chuva, ressentimento e olhares desencontrados resultou em alguma coisa. Normalmente eu brigo com as pessoas, e são brigas vazias, do tipo que não acrescentam nada à vida. Mas as raras brigas com ele sempre nos leva para um caminho mais doce, até mesmo mais seguro. A intenção é sempre não brigar de novo pelo mesmo motivo. Talvez porque nesse namoro - casamento, né? - haja muitas outras coisas além da emoção de brigar. Eu já estive numa em que a única hora em que alguma emoção forte despertava era em momentos de fúria, de sensação de perda mais exatamente. O amor nem estava mais lá (mas a gente demora a perceber, o Leminski fala que sentir é muito lento).
Enfim, as delicadezas do dia, como eu ía dizendo... Ontem ele comprou-me flores. E dois cactos. Hoje pela manhã eu acordei, como de costume, sem forças para o dia, mas ao olhar para a mesa e ver o vasinho de flores sobre ela, me senti meio que feliz. Ou, pelo menos, o mais feliz que se pode esperar que alguém se sinta às 7 e 10 da manhã. Depois teve almoço musical, teve barra de chocolate, teve beijos. Parti pro corre-corre.
De ônibus, mais tarde, estou num cenário totalmente diferente. Desconhecido. Peguei um outro ônibus que fez um rolê diferente, portanto. E pela primeira vez eu me senti diferente por estar aqui. Diria, feliz. Tudo parecia ou estava bonito. Andar pelas ruas bonitas me fez achar minha vida mais legal do que eu supunha. A vida está legal.
Ele limpou o fogão, lavou as cuecas dele. Eu tô passada! Ele faz isso porque me ama muuuiiito.
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