Tuesday, March 17, 2009

do domingo no parque



há sombra suficiente para abrigá-los. eu mesma estou aqui sob a sombra. Daqui assisto à passagem de som da banda, mais meu liro. trata-se do projeto música nos parques. cá estamos nós num dos inúmeros parques existentes na cidade. em marília, desfrutar de momentos de lazer em parques é coisa de pobre. aqui é coisa de toda a gente. porque rico tem cara. e pelas caras vou vendo que diversos holleriths andam por aqui.
preciso aproveitar: é domingo. estou bem aqui nessa sombra desse parque enquanto meu marido trabalha. a garota que canta é daquelas tipo abringabô. daquelas que cantam palavras formadas só por vogais. daquelas de lenço na cabeça e saião hippie. daquelas que cantam mpb. eu já fui mais fã de música popular brasileira. é que eu gosto do que já foi criado. sinto preguiça da cópia da cópia. preguiça das apirantes a elis regina. é isso: a mina lá no palco pensa que é elis regina.
uma música da banda fala de mutu, que é um galináceo. obrigada pela explicação. o som deles é uma mistura de samba, baião, maracatu, rock e jazz. isso tudo segundo a elis cover. foi o que acabei de ouvir.
há alguns minutos, pensei: o que estou fazendo aqui? o liro está lá no palco, compenetrado, e eu aqui, longe dele. longe e ouvindo um som que não me faz feliz. vim porque ele pediu. quase que não vim. pensei ser melhor ficar preparando aulas em casa. quando eu estou marcando em casa, ou melhor, prestes a ficar marcando, ponho-me a preparar aulas. chatice, né? pena que é assim que tem que ser. meu nome do meio é trabalho. o primeiro é angústia. o último é preguiça. olá, meu nome é angústia trabalho preguiça. mas ele me chama de liro. ok, vai... estou bem aqui.
penso em um monte de coisas. exemplos: quero aprender a tricotar. bom seria confeccionar cachecóis e suéteres. eu quero um cachecol preto. e outro vermelho. quero também não demorar para ter filhos. há crianças lindas ao meu redor brincando no parque. há uma loirinha e uma ruivinha. lindas as duas. hoje também é aniversário do cauê. o filhinho da minha irmã mais velha. aquele que eu queria pra mim.
paciência com a vida. é necessário ter. serei mãe pelo resto da minha vida a partir do momento em que o teste der positivo. o meu último nome é preguiça. eu tenho desejo e preguiça de ser mãe. só que em algum momento o desejo vencerá minha preguiça. é que, daqui, já me vejo mãe incansável. cansa só de imaginar.
ºcoisas escritas em 15 de março último. após tudo isso, cheguei em casa com muita enxaqueca e vomitei.

2 comments:

Ana M said...

que relato doce esse! me deu saudade de alguns momentos que tive em alguns parques nas bandas do lá longe. quando fazia sol, íamos todos ao parque. abríamos uma canga enorme e santávmos, cada qual fazendo o que tinha prazer. eu gostava de olhar as gentes e os pais com a crianças. íamos de bicicleta, a Nina na sacola com a cabeça pra fora fotografando a paisagem. eu tenho uma saudade danada da paz que eu só tive lá. na minha cidade das pontes. não sei se já te disse, mas aquela cidade é minha, os gringos apenas tomam conta dela para mim. por enquanto. que bom que li isso! ah, te mostro uma fotografia!
saudades imensas,
bisou,

Ana M said...

ah, mais uma "coisinha": me assustou de verdade o que disse sobre a longevidade da maternidade. eu tenho um medo do pra sempre, fia, que nem te conto. mas tbém quero tanto meu bebê preto, tanto!, que isso eu conto e conto até mais de uma vez. eu sinto saudades dele, sabia? sinto saudades do meu bebê que ainda não chegou. sonhei com ele na semana retrasada.
bisou