a gente acha que pode controlar as coisas. quando eu digo a gente
, eu me refiro a mim mesma, evidente. de repente você é do tipo zecapagodinho que deixa a vida te levar. eu não. eu sempre quis levar a vida. e essa necessidade de controle me faz louca a ponto de prever até mesmo os problemas, e as soluções pra os problemas que ainda não vieram (mas que vão chegar!), incluindo um plano b, no caso de aquela solução primeira não funcionar.
, eu me refiro a mim mesma, evidente. de repente você é do tipo zecapagodinho que deixa a vida te levar. eu não. eu sempre quis levar a vida. e essa necessidade de controle me faz louca a ponto de prever até mesmo os problemas, e as soluções pra os problemas que ainda não vieram (mas que vão chegar!), incluindo um plano b, no caso de aquela solução primeira não funcionar. os acontecimentos me mudaram. num dia você está em casa vendo novela, no outro um médico lhe diz que você pode morrer e lá vai você numa camisolinha, quase com a bunda de fora para o centro cirurgico, com as unhas dos pés em estado lastimável, esmalte vermelho descascando, virilha por fazer (tipo barba), e um bando de estranhos a esperam para furá-la. não deu tempo de me arrumar para a ocasião. num dia você faz uma ecografia com um médico loiro, com a cara gordinha e comenta que ele é a cara do seu amigo, no outro, exatamente no outro, você descobre que o amigo não existe mais. não aqui. não deu tempo de ele aparecer pra me apresentar a namorada nova. não deu tempo de eles irem morar juntos no ano que vem. o ano virá, ele não.
dos acontecimentos aprendi que perco tempo com planos desimportantes. que importante mesmo é ter plano de saúde completo para não correr o risco de ser operada em hospital público. decidi também que pararei de me sentir incapaz e vou tentar uma pós graduação em artes. genérico, né? artes... mas é isso. o liro me inspira umas tentativas. desse acontecimento concluí que nunca andarei de carro. eu tinha vergonha de ser uma pessoa tipo as nossas avós que não dirigiam, mas agora eu me assumo. dirigir deve ser legal, mas eu tenho medo. eu e o thom yorke. e a vó cotinha, nossa amiga véia imaginária.
não quero mais me precaver visto que a vida se dá de susto em susto.
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