saí do recinto com aquela sensação de desamparo. eu sei que estou com a razão, mas moro no brasil. essa frase, aparentemente incoerente, faz todo o sentido se você já se sentiu desrespeitado em território nacional. nessas horas sinto falta da minha super mãe. não apenas nessas horas. sinto saudade dela em muitas outras ocasiões, mas especialmente agora, como ela me faz falta! minha mãe sempre resolveu meus problemas mais chatos, as burocracias, os pepinos todos. agora ela e meu pai estão lá longe... eu me sinto já adulta, mas ninguém acredita. é árdua a tarefa de se fazer respeitar. e não estou acostumada a situações assim. beginner.
saí do recinto, então, chorando. e respirando ofegante, bufando, maldizendo todas as gerações desses sonegadores de impostos. eu, sozinha. eu, em cidade ainda maior que minha frustração.
foi aí que me lembrei de que estava perto do passeio público. nunca havia estado lá. e me lembrei da clarice: água viva estava em minha mochila. fui ao passeio público, sentei na grama, de frente pra um lago, e me pus a ler. e fui me acalmando. depois minha mãe me ligou e disse pra eu tomar um sorvete bem gostoso. minha mãe é uma graça. chorei ao falar com ela. mas é de alívio. dali um tempo o liro foi me encontrar, após suas aulas. e foi assim que vi que eu vi que, sozinha, posso me salvar. antes de minha mãe ligar, antes do liro chegar, eu já estava salva. e sã. e serena. tanto que até me deu sono.
adoro viver quando eu sou simples.
1 comment:
não sei ainda ser assim. queria tanto, fia. saber me acalmar antes de abrir a bolsa perguntando sem parar: onde está meu lexontan? onde está meu lexontam? lembra que vc fazia essa cena no primeiro ano da faculdade, ainda lá na marechal? putz, marechal deodoro, 450! eu gosto de repetir algumas coisas pra que ela não sejam esquecidas.
love u.
bisoux, beibe
Post a Comment