Friday, February 15, 2008

a insustentável leveza do ser


no eterno trajeto do ônibus voltando para casa, penso em mim. penso, então, no esforço que tenho feito todos esses dias, todos esses meses recentes, para ficar em paz. um esforço deveras grande para agradar a ele, às pessoas a minha volta em geral, a mim mesma também. não sou tão altruísta assim a ponto de preocupar-me apenas em agradar aos outros. ser leve exige um esforço pesado de minha parte, por mais paradoxal que isso possa soar. hoje eu não finji que não liguei. hoje eu não me esforcei para que tudo ficasse bem. confesso que também não me esforcei para que fosse um dia triste. eu não tenho tanto controle assim. choveu muito. não fui eu quem quis assim.

ao chegar em casa, havia um bilhete deixado por ele em cima da mesa dizendo sobre o quanto me amava, e sentia muito. só que também não era culpa dele. a culpa é minha em 90% dos casos. até mesmo quando ele tem culpa, no fim das contas a culpa é minha. sou eu quem precisa aprender a conversar. sou eu quem precisa aprender a reclamar na hora certa e não ficar emburrada engolindo todas as palavras de um dia inteiro. a pessoa difícil da casa sou eu. em todas as casas que morei eu sempre fui a pessoa difícil. sempre me ofendi ao saber que pessoas tão complicadas, problemáticas até, me consideravam uma companhia pesada. mas o fato é que essa é minha fama. é a fama que, ao menos, penso ter.

a imagem que faço de mim nunca coincidiu com a imagem que fazem de mim. eu considero-me aflita, muito aflita aqui por dentro. só que eu sempre quis ser leve pra você, pros meus pais, pros meus amigos. eu sempre quis ser uma boa amiga. eu quis fazer um pacto assim: "ok, eu posso vir a te dar trabalho com a minha dor, mas você pode contar comigo, eu agüento. confia em mim." e quando eu perdia a cabeça ninguém parecia ser capaz de relevar ou até mesmo esquecer. para os meus amigos e para a minha família eu sempre serei louca, por mais que eu batalhe tão arduamente para ser leve e doce, tranqüila e um pouco feliz.

eu acho que não preciso ser muito feliz. eu só preciso de um pouco de silêncio, de um período - pelo menos - do meu dia em casa. só preciso sentir que estou confortável comigo. conforto e calma é melhor que dentes escancarados na boca. preciso de um amigo que me escute também, porque bons ouvintes também precisam desabafar. preciso ver minha família às vezes. só às vezes, ainda que pense neles todo o tempo. aprendi a desapegar-me pois penso não ser essencial a meus pais. para chutar o pau da barraca, eu confesso precisar de um homem para amar e como... como eu preciso que ele me ame!

meu coração não está tranqüilo hoje, não... estou sem cigarros há 8 dias, porém tenho comido bastante e roído minhas unhas. faz tempo que minhas unhasnão vêem esmalte. desencanei de hidratar meu corpo após o banho com o super creme de framboesa e mirtilo do boticário. uma espinha gorda cresce no canto direito da minha boca. hoje eu não almocei, mas jantei bastante. tenho feito tudo errado, exceto pelo fato de que parei de fumar. listando assim, parece que estou compensando o péssimo hábito de fumar com muita amargura e desleixo. cansei de mim e fim.


2 comments:

Anonymous said...

ahhh dani... ouve um tempo em nossa amizade que começei a te chamar pra mim mesmo (e carinhosamente, juro) de "adorável monstrinho"...

Não vou te dizer o que fazer... vou te dizer o que fiz, tbm já fui "monstrinho"... o que serviu pra minha paz foi começar a me bancar com td de bom e ruím que tenho... Posso lamentar-me e pedir desculpas para os outros por ser assim... mas pra mim mesmo... não mais...
bjs

Nobre said...

Nossa, eu to aqui tentando escrever um comentário decente, mas nem consigo! Adorei o que escreveu, apesar de um pouco triste. Vc parece ser uma pessoa serena (ao menos por fora) e isso é bem o contrário de mim. Eu sou o excesso e a fúria em pessoa. Não sei como conseguirei dar aulas qdo chegar a minha hora com esse meu temperamento. hahaha