Friday, December 29, 2006

tudo demorando em ser tão ruim

um dos piores dias da vida

o dia em que meu tapete foi puxado.
pela minha família.
pelo meu pai herói, mais exatamente.
tudo não passou de pegadinha do mallandro.
e tudo de bom que estava pra me acontecer virou projeto falido mais uma vez. tudo que me foi dado me foi tirado. e eu não posso fazer cara de choro, não.

Monday, December 25, 2006

existe sofrer com serenidade? se existir, é assim que eu vou sofrer.
Ai de mim que não tneho mais minha casa em Assis para voltar!

(Deixa-me esclarecer: sim, eu estava detestando viver depois de formada em Assis. E sim, lá é péssimo se você não é mais estudante. Mas do que eu sinto falta é de ser estudante. )

Eu esclareço para convencê-los de que não surtei (termo assis-unespiano).
fica tudo assim. de um jeito incrivelmente ruim. e são em momentos assim que eu me percebo existindo. eu enfiei na cabeça em algum momento do passado que a danielle é trsite. e quando assim estou eu lembro que eu sou eu. e que é difícil exsitir. fica parecendo que todas as coisas boas que permearam o caminho até aqui foram ilusões minhas, devaneios, faz-de-conta. o que é real é a tristeza. e não me refiro a melancolia. é tristeza mesmo. com choro que te faz convulsionar. que dá vontade de tomar calmante. por favor, me arranja um! e meu amor não está aqui. de um jeito ou de outro, ele me acalma, me faz rir e pá! durmo. hoje é de cara limpa e sem sua companhia. qual o drama? família. a família que eu amo e que me faz sofrer. eu estava me lembrando daquela música do radiohad 'high and dry' em que diz " you'd kill yourself for recognition(...)", e vejo que é isso mesmo. eu me mataria pra ter o reconhecimento das pessoas pelas quais me sacrifico. é uma onda infantil, reconheço. faz pensar em criança sorridente após receber um carimbo de "A-parabéns-que-lindo-estrelinha!" no caderno depois de ter feito a caligrafia com esmero. mas também sei que todo adulto é meio criança e nem tudo que é típico da infância é tão patético assim. eu acho que vou descrevendo as coisas que sinto da forma mais patética possível para fugir de julgamentos. vou comparando as situações da minha vida a situações banais pra ver se escapo da dor. mas dói muito. e mais. e corta. pai, você sempre foi meu paizinho, meu herói. porra, não me faça chorar assim. estou brava com meu pai. e tenho sérios problemas para admitir isso, pois ele está doente e eu tenho medo de perdê-lo. mas, pai... não me faça mais sofrer. já são dez pras três da manhã e eu não consigo dormir com o peso de um sofrimento.

E se eu pudesse voltar no tempo...

eu trataria de prestar letras de novo, na unesp, em assis. tudo de novo.
hoje tá uma merda em termos financeiros, mas eu amei ser parte daquilo tudo.
estou com saudade.

Sunday, December 24, 2006

Unesp, Assis




Significante X Significado

Nem escrever me parece boa idéia. Isso porque as palavras parecem não ter relação com as coisas que sinto. Tristeza, solidão, fracasso são todos substantivos abstratos demais, e não chegam aos pés do que se passa aqui, dentro desse corpo estranho. Estranho e meu. Não deveria ser estranho a mim.
Mas tudo o é.
Eu nunca me senti tão só.

Saturday, December 23, 2006

De Matilde para Maria

Nessa manhã nublada, véspera da véspera de Natal, recebi seu cartão de Natal. Os Infalíveis Cartões de Maria. Desde 1998 recebo os infalíveis cartões de minha Maria.
Eu sou esquisita, Maria. Não acredito em Deus, não acho nada de Jesus Cristo, pouco sei de crenças e milagres, mas eu sonho com o dia em que terei um Natal de filme tipo Sessão da Tarde.
Talvez o Natal só seja mágico para as crianças, e logo, meu tempo já foi. Mas nem quando pequena meus Natais eram assim, bonitos. Eu sempre soube que o Papai Noel não existia porque a grana era tão curta que meus pais não eram tolos de nos iludir, né? Eu ganhava biquíni no Natal. Sempre. Porque Natal era época de ir à praia. E acho isso bem legal.
Na minha casa também nunca teve pinheirinho de Natal. Eram samambaias natalinas, o que meu pai julgava ser mais apropriado para o Natal brasileiro e tropical. Hoje eu acho isso muito louco, mas na época eu tinha vergonha. Por que eu não tinha um pinheirinho como todo mundo, né? Sacanagem...
Só sei que hoje nem samambaia natalina tem. Nem biquíni. Nem praia. Esse ano nem ceia vai ter. Eu vou cozinhar alguma coisa porque minha mãe não faz questão.
Do Natal bonitinho Sessão da Tarde só restaram seus infalíveis cartões. Obrigada, Maria. Mesmo que você seja assim como eu, descrente, me mande cartões de Natal, sim? Eu adoro, assim como luizinha piscando no Natal. É digno.
Maria, vou te contar: vou morar em Curitiba. Você irá me visitar?
Amor,
Matilde.

Wednesday, December 20, 2006

Tuesday, December 19, 2006

(des) Emprego


Hoje eu recebi um telefonema especial. Alguém me oferecendo emprego. Alguém da Wizard. Esse telefonema é o tipo de telefonma legal de receber. Mas nao foi, pois eu eu vou embora de Marília em menos de 1 mês. Então, esse telefonema foi daquele tipo que te faz sentir estranha, quase azarada.

She says, 'I like long walks and sci-fi movies..."

dear daddy

Queria dele a paciência com as coisas e a resignação diante de certas restrições que nos são impostas e que só nascendo de novo pra livrar-se delas. Queria dele essa ausência absoluta de vontade de reclamar. Queria dele pelo menos ele em si. E o tenho. Então pare de raclamar.

Monday, December 18, 2006

Pra lembrar da tarde mais quente

Deitamo na esteira, sob árvores, e a tempeatura de fato ficou mais amena. Suportamos calados o calor.


"And that's all there is -there isn't anymore!"





Apaixonada por Madeline.
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Vou morar em Curitiba, Paraná, Brasils-sil-sil!

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Acho que meu pai está melhorando.

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Tenho sentido tristezinhas acompanhadas de porções de alegrias. Alguns nervosismos tolos também. Quero crescer. Mas não tanto a ponto de não ver graça em Madeline, a menor e mais esperta das doze meninas!

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Há uma semana vi a Cátia e a Nati. Parece pegadinha do Malandro, mas não: minhas amigas existem, não é minha imaginação. Eu as abracei , toquei, conversei e tudo! havia tanto tempo que não nos víamos que eu já desconfiava da existência delas!

Thursday, December 14, 2006

Toda vez que algo bom está pra acontecer eu fico triste. Com receio.
Bosta...

Tuesday, December 05, 2006


O médico disse: "Descompensou, né?". Sim, doutor, descompensou. De repente tudo descompensou.

Só peço que não seja teimoso, que pare de andar pra lá e pra cá, que faça seu repouso, não caia, não se machuque, não seja teimoso...

(De longe, a vida dos outros parece-me tão mais simples - inclusive a vida que eu tinha até alguns dias atrás)

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Queria que ele percebesse que ele seria importante pra mim agora. Mas ele quer viajar de novo. Eu já comecei a planejar minha vida sozinha novamente. Já pensei em separação e não paro de pensar nisso.

Monday, December 04, 2006

ô vida amargurada...


Que vontade de ter um cincão que fosse no bolso e uma amiga que morasse aqui pra podermos, juntas, tomar um café em algum lugar. Um capuccino. Hoje eu filaria cigarros, até. Porque estou triste e cansada, e preciso muito desabafar.
Mas não há ninguém. Então esse blog veio a calhar.

Breve relato de dias não muito incríveis.

tenho aprendido a não gaguejar quando o assunto é sério e eu preciso discutí-lo com alguém tão eloqüente quanto um pastor de igreja evangélica.
tenho aprendido a não gritar e não chorar quando meu pai desmaia.
tenho aprendido que tudo pode mudar de um dia para o outro da forma mais inesperada possível, e que eu não posso fazer nada a respeito...

Tuesday, November 28, 2006

Monday, November 27, 2006

Muita atenção, por favor

Peço a minhas amigas queridas que torçam- ou rezem, pra quem reza - por mim. Eu quero tanto passar num concurso, gente!
Eu tenho umas dívidas na praça, uns boletos(três) do Magazine Luíza que são prestações do nosso fogão, microondas e jogo de panelas.
Fico agradecida com a torcida. Beijo, tchau.

Friday, November 24, 2006

Tuesday, November 21, 2006


Se não forem as legítimas havaianas dói por entre os dedos.
Se não for a genuína felicidade dói meu coração.

Você partiu meu coração.

Mama, i need some hugging as well

Sou frágil. Um bibelô. Uma boneca de porcelana. (sic)

Não tenho conseguido dormir bem, nem muito. As madrugadas têm vindo acompanhadas de dúvidas.

As dúvidas são seres de 293cm de altura e 325 kg. Têm dentes encavalados e muita olheira, aquelas olheiras de turco, manja?
Elas aparecem aos montes, pois são bem covardes, e nos atacam qauando econtramo-nos frágeis e despreparadas.

Eu sou uma frágil, mas corajosa, moça que luta contra os chatos e os depressivos e as dúvidas. Eu já fui chata, e depressiva -hoje sou legal e positiva (sic). Agora são essas dúvidas que terei que combater.

As dúvidas são parceiras do medo.

Meu aliado na luta contra as dúvidas tem sido o Jô Soares. Esse gordo é tão chato que me dá sono, e sonhando as dúvidas partem e procuram outro insone.

Monday, November 20, 2006

That 80' s show

Devia ser 1985. O cabelo da Andréa é pigmaleão! E o da minh mãe, que já é bem ondulado, tinha permanente! Viva os anos 80!



Mais uma dos 80: Andréa, pai e Lu.



Essa já é do novo milênio. Não, não. Essa é de 2000, e o milênio virou em 2001, certo? Sei lá.

Sunday, November 19, 2006

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Drummond

Ele anuncia que vem!


Não estudo há dois dias e sinto-me uma transgressora. Resolvi relaxar do estresse baiano que tem sido essa vida. É necessário relaxar, senão em breve ouvirei Pitty lamentando minhas chagas e grilos e mazelas. E apaludirei a interpretação de Caco Ciocler (Bravo!).
Nãããõoooo!
Reaproprie-se de sua dignidade, mulher!
Ele anunciou a volta para seus braços. Ânimo, porque ele chega junto com a nossa ilustre companheira e Léo Áquila para animar a festa. Luz, amor, vida, glitter!

Saturday, November 18, 2006

Insônia

Preciso de uma vida de verdade.

Eu e a Nair Belo.

mensagem

ela quer lhe telefonar

dizer, "eu te amo mais que tudo"

mas tem receio de apanhar da mãe dela

(na bunda)

quando chegar a conta do telefone

ass: pombo correio

mama, daddy need some hugging

eles davam rolê de chevette vermelho na praia de camboriú
conceberam um beibe numa barraca
ela nasceu e cresceu metida a ver poesia nas histórias

A visita fictícia


Se você morasse aqui eu iria até sua casa agora. Dim-dom, é o som da campainha e você apareceria com algum vestido bonito, pois você é bonita até fazendo faxina. Já que se trata de uma visita fictícia, faríamos brigadeiro bem molinho. Caso fosse visita real, não faríamos: uma que faz calor e daria dor de barriga, e outra que eu preciso resistir aos doces.
As nossas vidas nunca aconteceram como palenjamos, mas como é ficção, nós falaríamos a respeito da nossa ida a Paris. One-way ticket. Não quereríamos saber de voltar tão cedo.
(Lembra que seríamos vizinhas em Curitiba?)
- "Me espresta um casaco para os dias frios?".
- "Sim".
- "Au revoir".

nota


Chatos, mal humorados, enjoados. Eu já tive uma queda por pessoas que possuíssem tais atributos, julgando que essas características fossem indícios de personalidade forte, e sobretudo, especial, peculiar.
Hoje penso que isso é, na verdade, indícios de uma mente bem adolescente, rebeldes que assistem à novela "rebeldes". Pessoas com cara de cu, fechadas, blasé - nunca conheci um verdadeiro blasé, eles se olham escondidinho na vidraça de vitrines pra ver se o cabelinho continua lambido, e blasé que é blasé não se importaria.
Eu prefiro a companhia de pessoas gentis, com um bom astral. Pessoas seguras. E que por serem seguras não precisam te diminur para que elas cresçam.
Eu sou vulnerável, então preciso me precaver do mundo e ir sacando com quem eu agüento lidar ou não. Caras de cu, quero fugir de vocês.

11:45

"Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
E um arco-iris no ar

Depois na praia Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E uma esteira de vime
Beber uma água de côco

É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã

Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar

É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã

Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
É o diz-que-diz-que maçio
Que brota dos coqueirais
E nos espãos serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã"

O copo de suco de laranja que não tomei inteiro

Acontece que hoje não me contive, não fui capaz de ignorá-la.

Friday, November 17, 2006

Motivo da rosa




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles

Cantiga para não morrer


Quando você for se embora,
moça branca como a neve, me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar

O Amor é uma Companhia



Alberto Caeiro

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.


Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Thursday, November 16, 2006

" over prescribed/ under the mister /we had survived/ to turn on the history channel/ and ask our esteemed panel /why are we alive /and here's how they replied /you're what happens when two substances collide/ and by all accounts you really should've died..."

andrew bird

apertado


Será que vocês também sentem um apertozinho no peito? É uma coisinha pequenina que amarra lá dentro e que me impede de ter a sensação de plena tranqüilidade. Sinto-me tranqüila, mas há, no fundo, algo errado, e que muitas vezes eu nem sei identificar. Daí fico achando que o tal aperto faz parte de mim.
Hoje, porém, eu acho que o aperto se chama "mãe". Ela foi rude com meu pai sem motivo justificado ou plausível, pirracinha de criança. E por mais que eu mesma me comporte assim muitas vezes, eu tive vontade de bater nela. Mas nem respirar alto perto dela respirei...
Eu vi que meu pai quase chorou. E meu coração doeu. O coração partido do meu pai partiu meu coração.
Eles já se entenderam, já se entreolharam com risinhos e tal, mas o meu coração tá esquisito.
Será que é isso mesmo que me causou aperto? Ou seria a solidão? A falta do Liro. Ou seria essa PJ Harvey sinistra cantando?

Wednesday, November 15, 2006

Perfect


Acho que não sabia que você tinha orgulho de mim, não... Você é tão crítica que quando diz isso eu me sinto realmente feliz. Porque você não cresceu acostumada a dizer as coisas por dizer, por agrado ou educação: você foi sendo feita para ser verdadeira.
Eu tinha uma amiga na época de pirralha que me irritava muito. Eu tinha, muitas vezes, ganas de esganá-la porque ela sempre me elogiava. Ela dizia absurdos para agradar a mim e aos outros, e ficava imaginando se ela não se ria por dentro depois...
Lembra dos cadernos Click? Eram vendidos como água naquela época, e tinha gente linda e famosa na capa desses cadernos, como por exemplo a Luana Piovani e a Ana Paula Arósio. Pois uma vez eu estava chorando, ou reclamando apenas, a respeito de um muleque por quem era apaixonada e não era correspondida... papo vai, papo vem, ela disse: "Dani, você é muito pra ele, amiga! Você é mais linda que ela!" Ela, no caso, era a Ana Paula Arósio na capa do caderno Click. Eu não me senti elogiada, me senti zuada, inferiorizada. Nem preciso explicar porque, a situação é auto-explicativa.
Mas se você, Nati, diz que estou bonita, que a minha piada é engraçada, que o meu bolo ficou gostoso, eu só posso agradecer e me envaidecer.

Das coisas

Enquanto ele não vem, eu estou bem. Sinto saudade, uma necessidade de fazer um comentário que só dois acharíamos graça, mas estou bem. Sinto falta também de um cafuné no cabelo, mas não criemos pânico. Sinto falta de entrar no quarto e encontrá-lo na cama assistindo a algum filme da TNT, filmes dublados (!), que ele acha hiper legal... Sinto saudade de tantas coisinhas pequenininhas que têm feito da minha vidinha algo grandioso. Sinto falta do beijo e do riso. Gargalhadas e cantorias e imitações e passeios noturnos e passeios vespertinos. Das coisas. Das nossas coisas. Não temos casa, nem carro, malemá espaço, mas temos muitas coisas que não se pode tocar, e estão dentro de nós dois.

Festa do Sol

"Dia de luz festa de sol
o barquinho a navegar
No macio azul do mar
Tudo é verão o amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar
Sem intenção nossa canção vai saindo
Deste mar e o sol
Beija o barco e luz,
dias tão azuis
Festa do mar, desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar,
Céu tão azul, ilhas do sul
E o barquinho coração, deslizando na canção,
Tudo isso é paz, tudo isso traz
Uma calma de verão e então
O barquinho vai, a tardinha cai
O barquinho vai"
Eu adorava essa canção quando era criancinha. Eu a conheci através de um comercial de tevê, talvez das malhas Sulfabril, não me lembro. Mas lembro que eu cantarolava essa música, dentro do mar, nas férias, pensando em como a vida era boa.

Tuesday, November 14, 2006

Até já



Até já, meu bem. Não tarde, não falhe. Vem pro meu lado, que a melhor parte da história eu ainda não te contei, e é a melhor história que você vai ouvir em toda a sua vida. Você será essa história. Nós dois. Eu adoro histórias de nossos dois.

Tempo Rei

Quando temos um plano e coragem para colocá-lo em prática as coisas ficam mais claras. Também acho que pessoas que nos amam podem dar uma grande ajuda para que a vida entre nos eixos. Todos precisamos uns dos outros.
Além de um bom plano, de pessoas -mesmo que poucas , precisamos também entender que o tempo ajuda qualquer coração desesperado.
Acredito nos meus planos mais lindos, nas pessoas que eu amo e no tempo. Acho que é isso.
É chavão isso, mas eu sou bem Charlie Brown. Vixe.

Monday, November 13, 2006

Por mais que o desemprego e a conseguinte dependência financeira dos meus pais me sufoquem, eu não posso negar que muita coisa aqui dentro de mim grita feliz pela liberdade que é não adentrar uma sala de aula, toda santa ou maldita manhã para falar sobre coisas que ninguém quer ouvir. Viver em função de algo que não interessa às pessoas é tão frustrante, tão desgastante... Há sim pessoas satisfeitas com seus cargos de profesores, mas eu, que sou taxativa e talvez tapada ou cabeça fechada (faço isso, essa auto-flagelação, para proteger-me de alguma possível crítica a essa generalização), as classifico da seguinte forma:

  • pessoas "sai baba": como a minha amiga Sofia, que acha nobre passar conhecimento adiante, e é sincera. Usa da pedagogia do carinho, tudo muito gostosinho e sublime, só que detalhe: ela é a única pessoa que se encaixa nessa categoria, todas as outras se encaixam nas três listadas abaixo:
  • pessoas que têm cônjuge com grana: como vááárias amiguinhas, graças a Deus, ex-amiguinhas de trabalho;
  • pessoas mentirosas: que pagam de altruístas mas não me convencem, porque EU sei o que é dar aula, e sei que elas se fodem pra caramba;
  • pessoas que não conseguiram outro emprego: são pessoas tristes, pois dar aula não é sonho de ninguém que eu conheço. Veja bem, que eu conheço... das outras não sei.

O problema é não estar livre da possibilidade de voltar para essa realidade, já que uma hora ou outra precisarei de um ofício. Mas eu espero, em nome dessa parte de mim tão feliz que vibra por ter tido a coragem de abandonar a pedagogia do opressor, do oprimido, do carinho, do caralho, e viver de outra coisa. É só isso, não sou tão exigente, quero outra coisa. Qualquer outra coisa. Outras coisas. Não seria mais legal?

Carta para um menino


Você, que eu amo, entrou num ônibus e foi lá pra terra dos seus. Está certo, você tem a eles, não só a mim. É certo e natural que seja assim... em seu lugar eu também iria. Mas eu, que o amo e aqui fiquei, estou predida.
Não sou egoísta, mas quero falar apenas do meu lado da história, quero avaliar apenas o meu vazio, o meu dano, o meu lado da cama que eu guardo pra você durante a noite, daquele prato a mais que eu pus na mesa esquecendo-me de que você não estava aqui pra provar da torta que eu fiz - e sim, foi a mais gostosa de todas, e você PERDEU, BEM FEITO, quem manda ficar longe? - . Meu amor, não estou brava... é brincadeirinha... mas volta! Semana que vem? Tenho estudado, tenho feito ginástica pela manhã, tenho cozinhado, tenho feito inúmeras coisas para preencher os tantos segundos que passo sem a sua companhia. Sabe qual é a pior parte? É que quando longe eu penso em coisas ruins, tenho inseguranças que eu não posso revelar senão você pensaria que eu tenho 13 anos, e eu sou uma mulher de 26. Você também tem 26. Já lhe falei que acho bonitinho termos a mesma idade, que gosto de ter vivido as mesmas épocas que você viveu? Liro, você me faz gargalhar alto, tão alto que eu fico com as mãos molengas e reclamo , "pára Liro!", mas eu adoro! Você é um bestão que me deixa um pouco louca de saudade...