





Sou frágil. Um bibelô. Uma boneca de porcelana. (sic)








Enquanto ele não vem, eu estou bem. Sinto saudade, uma necessidade de fazer um comentário que só dois acharíamos graça, mas estou bem. Sinto falta também de um cafuné no cabelo, mas não criemos pânico. Sinto falta de entrar no quarto e encontrá-lo na cama assistindo a algum filme da TNT, filmes dublados (!), que ele acha hiper legal... Sinto saudade de tantas coisinhas pequenininhas que têm feito da minha vidinha algo grandioso. Sinto falta do beijo e do riso. Gargalhadas e cantorias e imitações e passeios noturnos e passeios vespertinos. Das coisas. Das nossas coisas. Não temos casa, nem carro, malemá espaço, mas temos muitas coisas que não se pode tocar, e estão dentro de nós dois.

Por mais que o desemprego e a conseguinte dependência financeira dos meus pais me sufoquem, eu não posso negar que muita coisa aqui dentro de mim grita feliz pela liberdade que é não adentrar uma sala de aula, toda santa ou maldita manhã para falar sobre coisas que ninguém quer ouvir. Viver em função de algo que não interessa às pessoas é tão frustrante, tão desgastante... Há sim pessoas satisfeitas com seus cargos de profesores, mas eu, que sou taxativa e talvez tapada ou cabeça fechada (faço isso, essa auto-flagelação, para proteger-me de alguma possível crítica a essa generalização), as classifico da seguinte forma:
O problema é não estar livre da possibilidade de voltar para essa realidade, já que uma hora ou outra precisarei de um ofício. Mas eu espero, em nome dessa parte de mim tão feliz que vibra por ter tido a coragem de abandonar a pedagogia do opressor, do oprimido, do carinho, do caralho, e viver de outra coisa. É só isso, não sou tão exigente, quero outra coisa. Qualquer outra coisa. Outras coisas. Não seria mais legal?