feliz natal é, pra mim, uma frase totalmente desprovida de sentido. o que é que feliz natal significa? eu pensava que jesus cristo tivesse nascido em 25 de dezembro, mas, após alguns cliques movidos pela curiosidade, descobri que jesus nem nasceu em 25 de dezembro. seguinte:
entre 17 e 22 de dezembro, o solstício de inverno era celebrado na roma antiga. e era comum essa reunião de gente e troca de presentes para celebrar o nascimento do "deus sol invencível" (natalis invistis solis) e a saturnália, celebração em honra ao deus saturno . não havia até aí relação alguma com cristo, até a igreja católica intervir. a priori, pensavam...
( está tocando roam, do b-52's, e eu AMO essa música!)
em extinguir essas festividades pagãs, mas depois pensaram em celebrar o nascimento de jesus - uma convenção - em 25 de dezembro, já que coincidia com as datas das festas pagãs romanas. assim, a igreja poderia angariar fiéis, tranformar pagãos em cristãos. ou seja, o natal é uma cristianização de uma festa pagã.
houve um tempo em que o natal era proibido na inglaterra e em colônias americanas por tratar-se de uma festividade com raízes pagãs. quem, por um acaso, não fosse trabalhar seria multado.
enfim, a comemoração feita aqui ontem foi bem legal. na verdade, como bem observou a nati, tudo não passou de uma janta mais apurada. e que janta! passamos o dia todo a picar, misturar, assar, gratinar e mais outros verbos da culinária que nem sei usar. foi um dia ótimo. à noite comemos e ouvimos músicas alegres. não queria nada de melancólico, uma vez que de melancólico já bastava meu coração. por que é que essa data me traz melancolia? porque é uma data família. lá em marília estavam todos reunidos, e sabe o que rolou lá? nada. entendo que minha família pareceu coerente com as raízes históricas do natal, mas acontece que o natal virou isso aí. reunião e comilança em família. e ninguém comeu nada gostoso. minha mãe, ao telefone, me disse, "ah, nós vamos ver a novela e depois dormir". eu prefeirira que eles tivessem comido peru vendo a novela, pelo menos. ou que eles tivessem assistido à novela e depois conversado, ou jogado baralho. cada um sabe de si, mas é um pouco deprê ter uma família que não deposita alegria em nada do que realiza. pra minha mãe sempre foi assim, "pra quê". uma vez eu tava indo chupar sorvete com o rangel, meu ex-namorado, e minha mãe me deu a maior bronca, "ah, tem sorvete em casa! pra que sair?" eu deveria ter respondido que eu queria chupar sorvete na rua porque na sorveteria é mais gostoso, porque ir à sorveteria já era um programinha, porque também dá pra ficar beijando de língua loucamente sem que minha família presencie isso, e porque andar pela rua faz bem pra cabeça. eu não respondi nada e fui assim mesmo. e esse episódio é a cara da minha mãe. e pro meu pai é assim, se minha mãe está disposta ele participa, se ela não se anima ele fica de boa fazendo palavras-cruzadas.
ontem o liro me prometeu que nossos natais sempre terão comidas gostosas e que, quando tivermos filhos, tudo será bonitinho, com fantasia. eu realmente não sei quem eu sou e o que eu quero. não sei se quero que meus filhos acreditem em papai noel quando muito novinhos. não sei se quero perpetuar essa história cretina da igreja católica, mas eu também não quero perder a ternura. vocês me entendem? não quero perder também essa desculpa esfarrapada de jesuis e deixar de fazer festa em casa. não quero perder a ternura.
3 comments:
pois pensei mto em vc e cheguei a te ligar para dizer feliz natal....
tentarei novamente...
beijos com saudade
Dani, você nos abandonou no orkut? É de verdade mesmo? é pra sempre?
Beijos e beijos
tenho pensando muito, mas muito mesmo nessa vida cristã que nos foi dada e que nós assimilamos e que por tantos tempos tem ditados nossas regras. no natal eu só ficava pensando que os judeus estão nem aí pra isso. tenho lido sobre judaismo, simpatizo com eles, os judeus, apesar de em todas as vezes que uma coisa cai da minha mão eu gritar: jesuis!
no ano retrasado cheguei a sentir um pouco de asco vendo as crianças devorando seus presentes. no retrasado, não suportava ver as pessoas freneticamente abarrotando as lojas nessa época. nesse ano, pensei que seria uma boa desculpa pra se fazer uma festa legal, com muita comida e bebida. e só. não rolou exatamente como eu desejava, mas, enfim, festas e outros momentos são assim mesmo. eu comprei presentinhos pros meus pais (que não pensam como eu e reamente se chateiam de não ser presenteadas em natais, dias das mães, dos pais, etc) e aproveitei minha muquiranice pra lhes pedir coisas que queria ter (tenho andando muito muquirana, acho são minhas raízes arabescas). bom, foi uma comilança legal, uma bebedeirazinha leve e uma festa caidíssima.
as pessoas devem pensar muito pouco, ou então, devem preferir se alienar a ter que lidar com a falta de encanto da vida. questionar traz tanta dúvida, né? e, afinal, fica tudo tão bonito, a árvore, os enfeites, até as pessoas ficam mais fraternas nessa época.
eu vou continuar a fazer minha festa de natal tbém, todos os anos, como uma noite de comer e beber. quando eu tiver meus filhos, vou dizer a eles que papai noel existe sim, quero deixá-los sonhar enquanto puderem.
nós somos cristãos capitalistas, acho isso está em nós. no nosso mundo, nas influências que recebemos, em coisas que não podemos nem perceber. e são coisas tão opostas, né?
Post a Comment