Wednesday, December 24, 2008

o tempo passou na janela...


eu tenho minhas bobagens, como todo munto tem das suas. uma das minhas é pensar que ano ímpar é melhor que ano par. vou esmiuçar minha trajetória, que é pra ver se minha crendice faz sentido. retrospectiva:

1993 - 1997: anos felizes de adolescência. sim, eu fui uma adolescente feliz.

1998 - entrei na faculdade. mudei pra assis. minha adaptação à cidade, ao curso de letras, à república aconteceu lentamente, e enquanto isso fui sofrendo. ano mais ou menos.

1999 - comecei a trabalhar! a sensação de ser útil, de ter meu próprio dinheiro e não dar gastos pros meus pais me fez muito bem. além disso, fiz amizades incríveis no trabalho, e na república eu já me sentia mais à vontade. a vida estava calma, divertida. nesse ano, enquanto lavava a louça, me toquei de que era ótimo não morar mais com a família, e não me ver mais envolvida em confusão. ano bom!

2000 - a única coisa boa a respeito desse ano de que me recordo é a viagem ao rio de janeiro. o resto são lembranças tortas: o começo da relação doentia com búfalo, a morte do meu avô, e brigas feias entre amigos. ano ruim.

2001 - taí: um ano ímpar ruim. só me lembro da pressa de me formar, e das brigas homéricas com búfalo.

2002 - meu deus: outro ano péssimo. o ano em que morei naquele mausoléu da gourmet. um ano intenso demais. só me lembro de solidão e moto-táxi do mal.

2003 - o ano em que fui morar sozinha. a vó anita teve um derrame no dia do meu aniversário. e cada segundo da minha vida foi difícil. eu larguei o jornalismo pra fazer terapia. troca esperta. a faculdade era uma bosta e a terapia veio a calhar. mas como dói...

2004 - eu terminei com o búfalo. eu conheci o liro. eu fui embora de assis. eu passei em concuro público. voltei pra cidade - e pra casa - dos meus pais. não foi nada bom, no entanto, terminei o ano na praia com amigos.

2005 - esse foi o ano em que minha vó anita morreu. o ano em que meu pai adoeceu. o ano em que saí da casa dos pais e fui morar com o liro. de novo em assis. muitos remédios: pra ansiedade, pra depressão. ano ruim.

2006 - com muitas dívidas no banco, fiquei sem grana pra comer. é, é verdade. fomos eu e ele morar na casa dos meus pais por 6 meses. e os seis meses foram péssimos, pareceram um ano inteiro. lição: nunca deixe um emprego antes de ter outro.

2007 - vida nova. curitiba. eu e liro novamente na nossa casa. quitei dívidas. meu pai melhorou. eu vi um show da bjork. a vida recomeçou feliz. eu estranhei a maré de sorte e tive medo de acordar sem grana, sem amor e em assis, ou pior, na casa dos meus pais. só que a realidade era boa mesmo.

2008 - a realidade se fez boa também. e: parei de fumar.


resultado: acabei de crer que minha crendice a cerca de anos ímpares ou pares é uma baboseira que minha cabeça inventou. o fato de os anos serem bons ou ruins tem relação direta com alguns fatores, tais como:


  • a pessoa com quem você convive, se esta for um búfalo, você será infeliz, e o ano todinho uma merda;

  • grana no banco. se você tem, legal. se não, fudeu;

  • expectativa no controle: não espere nem de mais nem de menos.


2 comments:

Helô Helena said...

Eu também tenho a impressão de que os anos ímpares são sempre melhores, mas nunca coloquei na balança os acontimentos pra analisar de verdade. Só sei que esse ano de 2008 eu jogo todinho no lixo. Mas tem duas coisas boas que aconteceram na minha vida esse ano: ter ido visitar vocês em Curitiba, e ter passado de novo na faculdade. Saudade dos bons momentos com vocês!! beijos

Ana M said...

eu nunca pensei sobre isso na vida, fia. pra mim todo ano poderia ter sido melhor, de verdade. acho sou pessimista mesmo. ou não!: talvez eu apenas espere demais...

mas o título do post me fez lembrar de uma música do chico, depois te mostro. falando nisso, eu comprei vários cds dele por um preço baratíssimo! o submarino estava com um super desconto! e tudo na ordem cronológica, claro. comprei 8, até pensei que vou me cansar de tanto chico, mas o tempo é tão longo, né?