Friday, July 14, 2006

Thursday, July 13, 2006

Sofia veio me visitar. E contou suas novidades. Eu não tinha nada para contar. Nada bom, que é o que se comentaria numa situação dessas. E eu fico triste, porque eu não tenho consiguido enxergar muita beleza no meu caminho. Geralmente, as pessoas que têm fé, e Nosso Senhor no coração, acreditam que quando as coisas vão mal é na verdade o seu olhar que está equivocado. E que Deus nos cerca de belas coisas.
Sejamos francos: a minha vida tem sido nada mais, nada menos, que um amontoado de problemas que eu não consigo resolver sozinha. Um fracasso. Problemas sempre vão existir, mas quando será que eu poderei responder por eles, sem precisar de ajudinha aqui e acolá? Ai, vida: tu és uma filha de uma puta.

Sunday, July 09, 2006

Estou em férias. Finalmente férias.

Saturday, July 08, 2006

Semana passada foi semana de dramalhão, de notícias bombásticas, brigas no trabalho. Suspense.
Ai, como sofri.
Eu espero menos da vida agora porque acho que é a melhor maneira de ser feliz. Quero deixar de sonhar com coisas incertas e me adaptar. Quero EU tratar dos assuntos que me importam sem esperar que alguém o faça. Por maior que seja a boa vontade. Por maior que seja o empenho. Ou por menor que seja também, que ninguém tem a obrigação de lutar por mim. Só eu.
O trecho àcima é pra lá de óbvio. Mas para os ingênuos as certezas dos espertos não soam tão elementares assim. E nesse embalo de descobertas busquei na máquina do tempo o momento exato em que tudo começou a querer dar tão errado. E nada encontrei. Impossível precisar. Impossível porque todas as minhas atitudes e decisões me direcionaram a tomar o rumo para que eu chegasse aqui. Eu escolhi. Eu escolhi, sem muita interferência alheia, todas as coisas que estão em minha vida hoje.
Não serei piegas e agradecerei, pois eu acho que muita coisa em minha vida está errada. E não fui injustiçada. Essa vida é o resultado de planos. Meus.
No meio dessa bagunça o amor também aconteceu. Então há que se comemorar...

Monday, July 03, 2006

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Paulo Leminski



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Dia de intensas vivênccias sociais. Conversei bastante com diversas pessoas.

Saturday, July 01, 2006

Losers!

A França acabou com o Brasil nas quartas de final dessa copa do mundo. Eu estava empolgada com essa copa. Tá, é pão e circo mesmo o esquema. Hoje comprei até frango assado... (ai!).
Enfim, se o Brasil ganhasse esse jogo, na quarta feira eu não daria aula à tarde. E isso seria um presentinho pra mim, já que não fui favorecida por nenhum jogo que coincidisse com o horário das minhas aulas. Deu uma tristeza rápida, mas logo me resignei. Como boa perdedora que sou.

Àcima, o sinal de perdedor.

Thursday, June 29, 2006

Eu preciso de dinheiro. Aquele empréstimo no banco me foi negado porque minha conta ainda é universitária. E ainda o é porque meu gerente insistiu que eu a mantivesse assim quando eu quis trocá-la por uma conta normal, de não-universitário. Esse drama já me acompanha há algumas semanas. Pensei em pedir socorro para a minha mãe. Antes que eu pedisse, ela ofereceu ajuda. Aceitei. Tudo resolvido, não? Não. Eu sinto culpa por pedir tanto dinheiro, que eu nunca vou poder pagar. Por ficar tirando pedaços dos outros. Por dar trabalho.
Eu sei que é normal que os pais ajudem os filhos financeiramente, mas eu não gosto de pedir nada. Eu me sinto péssima. E por quê? Porque eu queria ser aquela que dá boas notícias. Que liga pra falar que foi promovida, que é um sucesso. Eu quero agradar. E pedindo dinheiro eu sou desagradável.
Eu tenho uma ótima memória, lembro as datas todas: aniversários, datas de casamento dos familiares, acontecimentos remotos. Lembro também de nomes de personagens de novelas, letras de música, de pessoas da minha vida. Mas eu sempre me esqueço dos livros que li e dos filmes que vi. Filmes e livros que gostei. Lembrei hoje que me esqueci de que assisti Peixe Grande e adorei. Lembrei que me esqueci. Que frase é essa?
Lembrei que há dez anos meu plano era morar em Curitiba.

Lembrei do Verve e da doce sinfonia da amargura. Lembrei coisas boas.
Pela manhã redescobri The Verve. Uma banda tão 1999 que voltou com toda a força pros meus ouvidos.
"'Cause it's a bitter sweet symphony, this life Try to make ends meet You're a slave to money then you die"
As coisas tão belas que permeiam minha mente não se concretizaram ainda. Lógico. As coisas são lentas para quem tem pressa.
Perpsectivas boas existem. O pai está ótimo. E a vida continua. Gélida. 8 graus.

Saturday, June 24, 2006

Fizemos um bolo esquisito de aveia e cenoura que ficou muito gostoso. Depois dormimos sem nos dar conta de que ele precisava ir para o bar em pouco tempo. Perdeu hora, saiu como um foguete sem que desse tempo de eu dizer tudo o que sempre digo antes de ele sair, coisas como "se cuida, cuidado na esquina, te amo, me acorda quando você chegar com beijo, blá, blá, blá". Não tive tempo pra preparar para sua ausência.
Eu o amo todos os dias.
Que frio que me deu nas pernas. Melhor ir pra cama aquecê-las e fazer filminho na cabeça sobre a vida que tem tudo pra ser daqui a pouco. E se não for, tudo bem, que projeto falido não é novidade mesmo. A novidade seria a vida seguindo de acordo com os desejos meus.
Mãe disse que ía ligar e não ligou, desnaturada é a mãe.




Anna Karina

Descobri Anna Karina. Musa de Godard.



Cismei que sou muito séria e de caráter muito reto, o que faz de mim um pouco azeda. Em termos de ética isso me enaltece, mas não faz de mim alguém feliz. Preferiria ter a ignóbil característica daqueles que deixam tudo para última hora, que se atrasam porque ficaram até mais tarde na cama. Gente que não se cobra. Experimentei essa faceta por um tempo durante os anos de faculdade, e acho que fui muito feliz. Mas a faculdade acaba, os amigos vão embora, você sofre um tanto, perde umas pessoas queridas e quando cai em si não é mais adolescente. Tudo bem levar as coisas com seriedade. O problema, o x da questão é não levar algumas pessoas a sério. E daí eu não sentiria tanto meu músculo trapézio!
Sonhei com meu pai, e ele estava bem.
Vou dormir e me despeço desse dia com a sensação de que aquele papo bicho-grilo de que não precisamos de tanta matéria faz todo o sentido e encontra eco em meu coração.
Eu adoraria ter bastante grana para comprar casa, carro, uma jaqueta xadrezinha da Triton, fazer as unhas no salão e ter um filho. Mas eu não tenho isso. Não tenho grana nem para a compra do mês. Quase morri quando me dei conta disso, mas novamente eu não morri. Sou dura de matar, acabei de me convencer disso. Eu tenho me virado. Com muito pouco mesmo. E tenho aberto mão de querer tantas coisas. Só não abro mão de sair de Assis. Taí um sonho que me move e me ajuda a encarar a crise das vacas magras com mais esperança de que dias melhores virão.
Gente simples é mais feliz. Não é mera coincidência.
Falo de simplicidade, não de miséria... que aí já é outro papo.
E que eu tenha uma boa noite com sonho bonito. E você também.

Friday, June 23, 2006



Essa é uma de minhas cenas favoritas do High Fidelity. Aquela em que o Ian vai falar com o John Cusack. E, nisso, o John Cusack Cover do Alberto Sabatini imagina alguns desfechos de grande feito para a situação. No entanto, ele apenas ouve a recomendação do Ian calado, com o rabinho entre as pernas.
Gosto dessa cena porque ela é bem engraçada e porque não há como não me identificar: essa cena é um retrato da minha vida. Imagino mil desfechos e resoluções para difíceis situações, das quais em grande parte saio como reles mortal, de cabeça baixa e perdedora. Fudida da vida por dentro e pensando: "Ai, se eu tivesse coragem! Diria isso, isso e isso!". E mais isso: POW!*

* agressão física.
Dia quase normal e vida quase boa.

Descobri que preciso de 8 horas de sono. Pecisas oito horas me garantem um pique durante o dia. E às sextas eu trabalho nos três períodos. Não me cansei.

Só cansei de coisas que me fazem ter um pouco de preguiça de ser eu mesma. É necessária muita paciência para suportar o tipo de situações que enfrento. Todas elas exigem muita paciência de mim, e .... eu não tenho paciência. Hoje o futuro chefe passou a ser, quem sabe, ex-futuro-chefe.
Mas eu espero. Pode deixar.


Em meu mundo utópico, eu viveria mais tempo na horizontal sobre essa cama. Nesse quarto mesmo...

...e moraria aqui, em Curitiba.

Gosto de ter a inocência de achar que um lugar novo mudaria minha vida. Gosto dessa pureza que ainda mora em mim.

Thursday, June 22, 2006


Hoje meu pai sai do hospital. Respiro aliviada.
Quando a coisa fica feia só o essencial basta: a vida de pessoas das quais preciso pra poder também viver.
Roí 4 das dez unhas.
Acordo pulando da cama com a urgência de ajeitar a vida. Lembro que é importante ter paciência. Temo ter um enfarte.
Ele acorda. Passo o café, engulo-o sem vontade, e invento de lavar louça. Com isso me distraio, e penso no quanto evoluí na arte da culinária. Já posso cozinhar pros meus filhos que não nasceram. Olho pra ele, sentado, quietinho. Nem muito triste, nem muito feliz. Precoupado com o rumo das coisas, assim como eu. É o menino que eu amo.
E o dia seguiu tranqüilo sem que eu me desse conta.

Sei que se der certo de nós dois irmos pra lá será dureza a priori, mas lá no fundinho também sei que daremos conta. E que seremos mais felizes. Só de sair por aí tentando a vida ao lado dele vale. Acho bonito isso. Romântico. E eu sou bem romântica.

Sunday, June 18, 2006

Vou passar o domingo em casa, preparando alguma receita na cozinha. Depois arrumar e ajeitar o lar. Corrigir provas.... talvez. Quero um dia normal, um dia tranqüilo. Um dia quieta com ele na nossa casa.
E nesse meio tempo muita coisa aconteceu. O sobrado que eu queria alugar já foi alugado por outrem, meu chefe me destratou - logo eu, que gostava tanto dele -, meu pai foi internado, fiz empréstimo no banco, surgiu a oportunidade de Curitiba e o Bussunda morreu.
Quando, na quarta-feira à noitinha, minha irmã me ligou avisando da internação do meu pai, eu pensei que fosse morrer. O fato é que não morri. O fato é que a gente agüenta as coisas que supomos jamais conseguirmos agüentar. E agora meu pai está melhor. E eu fiquei melhor também.
A possibilidade de morar em Curitiba me enche de receio, mas quero livrar-me do medo antes de saber se isso vai acontecer mesmo ou não. Porque eu sempre fico com o estômago doendo diante das possibilidades, e no fim das contas as possibilidades nunca passam disso... de projetos falidos.
Não compro uma maço de cigarro desde quarta-feira, mas também não quero me empolgar e me julgar ex-fumante porque taí outra coisa que se enquadra na categoria de projeto falido. Só que eu não quero mais ser uma pessoa que fuma. Não é bonito, nem glamouroso, nem cheiroso. Tenho a impressão de que ninguém mais fuma. Só sou eu a vítima do câncer. E eu não quero mais chamar atenção por essa razão. Sou chamariz de velhos que me abordam dizendo "filha, você já conheceu alguém com enfisema pulmonar?" Sem contar que minha bronquite atacou na semana passada e eu precisei de muita inalação para me recompor.
Às vezes me sinto sozinha.



Eu me magôo muito facilmente com as pessoas, apesar de achar que eu tenho bom senso para julgar uma mancada. Mas sempre ouço que sou uma melindrosa. Só que sempre escuto isso de gente que é conhecida mundialmente como grosseira.

Para terminar, ainda que não faça relação com o que escrevi - mas faz! - , é sempre melhor ficar em casa.

Sunday, June 04, 2006

Vivo aquela fase em que ser feliz independe de questões internas. Independe de mim.
Eu preciso que algum médico saiba exatamente o que meu pai tem, e que esse doutor prescreva a medicação correta e a dosagem apropriada. É somente isso.



Tudo fica mais difícil quando a vida pra ser boa depende de um fator externo, de algo que eu não posso resolver sozinha.
Antes eu lutava contra mim mesma pra resolver perrengues e achava que minha maior inimiga nisso tudo que habita o mundo era eu mesma. Passada a fase seek and destroy , eu vejo como me sabotei por tanto tempo sendo infeliz quando, no mais, tudo estava bem. E lamento então, todas as lágrimas que derramei por coisas bobas, irrelevantes em comparação a tudo que mais importa.
Eu quero meu pai bem, e quero ir à praia com ele nas férias de verão. Quero só o essencial. Que pra mim é isso.

Friday, June 02, 2006

E assim finda mais uma semana desse calendário cheio de dias sem promessa.

Isso pode soar como amargura reprimida, mas não é o caso. Estou contente. Não diria contente exatamente. Não sei se existe uma palavra que exprima o conceito que quero passar. Sinto assim: um estar feliz sem gargalhar, sem esperar nada da vida. Sem grandes esperanças ou expectativas. Mas parece-me que estou bem. Tenho feito comida, deixado a casa em ordem e .... sim, isso me alegra enormemente. Isso é algo novo pra mim, que sempre fui adepta da bagunça e do coçar o saco.
Agora, quando acordo feliz, ligo o som e limpo a casa! Isso me lembra Caio Fernando Abreu em Os dragões não conhecem o paraíso. A pia às moscas - literalmente- , e a casa vazia de sons. A vida vazia de abraços. Eu era a pessoa mais carente de calor humano do mundo e minha casa era o reflexo da zona em que me encontrava. Como no livro.
Outro indício de que minha vida está muito mais centrada hoje em dia é o fato de eu não conseguir emagrecer. Contentinha e gordinha sou. Contentinha e gordinha fazendo doces tardes a fora! Quem me viu, quem me vê!
Você saberia mexer em todos esses botões?

Pois o Liro sabe. De barman foi promovido a técnico de som, o que vai melhorar significativamente sua vida.
Apesar de seu bom gosto musical, os frequentadores da casa noturna em que trabalha têm pésimo gosto, sendo assim, não haverá meio de tirar os funks da lista dos sons que vão rolar. Mas, porém, sutilmente, ele introduzirá algumas coisas boas, sons estailes!

Minha cabeça não pára de pensar em meus avós. Sinto saudade sempre. Especialmente quando estou sozinha e quieta dentro do ônibus, antes de me deitar ou na fila do supermercado.

Quero meu pai bem, preciso dele aqui.

Thursday, June 01, 2006

So take aim children take aim!

Tables and Chairs
by Andrew Bird
if we can call them friends we can call them on red telephones
and they won't pretend that they're too busy or they're not alone
if we can call them friends we can call
holler at 'em down these hallowed halls
but we can't let the human factor fail to be a factor at all
don't don't you worry
about the atmosphere
or any sudden pressure change
'cause I know
that it's startingto get warm in here
and things are
starting to get strange
and did you, did you see how
all our friends were there
drinkin' roses from the can
howhow I wish I
I had talked to them
and wished they
fit into my plan
and we were tired of being mild
oh so tired of being mild
we were so tired
I know we're gonna meet someday in the crumbled financial institutions of this land
there will be tables and chairs
pony rides and dancing bears
there'll even be a band
'cause listen after the fall there'll be no more countries
no currencies at all
we're gonna live on our wits
throw away survival kits
trade butterfly knives for adderaland that's not all
woah!there will be snacks, there will
there will be snacks!


This is Mr. Andrew Bird!
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Temos ouvido muito Andrew Bird nas manhãs de vento frio tomando café e conversando sobre qualquer coisa. Como eu gosto das manhãs! É o período do dia em que estou inteira, com planos querendo dar certo. À medida que o dia se arrasta, as coisas começam a dar errado, e assim, tudo vai se desenvolvendo como o usual, dando errado... Nem todos os dias caminham para a falência do êxito, mas uns 327 dia do ano são assim. É a vida de todos nós.

Quero uma grande notícia. Uma grande e ótima notícia.

Wednesday, May 31, 2006

Podem me chamar de preconceituosa, porque eu mesma admito que sou.

  1. não gosto de mulheres na chefia. Prefiro os homens no comando, eles são mais sensatos, em geral.
  2. odeio sotaque nordestino, não entendo como as pessoas se levam a sério falando com aquele "sótaqui".

Refleti a cerca de tudo isso nessa manhã de quarta-feira, prelúdio de uma tarde estafante, passada ao lado de pessoas estafantes. Mas não vou me abalar. Meu espírito sairá de lá intacto. palavra de escoteiro.

Thursday, May 18, 2006

Hoje, vinha andando a caminho de casa, e pensando : "Minha vida é uma merda, minha vida é uma merda, minha vida é uma merda!". Merda, merda, não é. Mas é tanta insatisfação, tanta coisa que fica na lista do pretérito perfeito, portanto futuro condicional, que acho que minha vida está a beira da merda. Tudo que poderia ter sido feito e não foi. Ou tudo que eu deveria não ter feito e fiz.
Ao começar a escrever, julguei ser importante para mim mesma, falar a respeito disso. Mas agora que falei um pouquinho já me arrependi. Até eu mesma tenho preguiça de pensar sobre minha própria vida.
Nesse fim de semana encontrei na casa dos meus pais uma agenda de 1994. Tinha eu na época 13 pra 14 anos de idade. Foi uma diversão reler aquelas linhas, e também um pouco deprimente, pois eu já havia me esquecido de como eu era loser. Eu era uma menina promíscua em pensamentos. Gostava de três meninos de uma só vez, e não ficava com ninguém. Não por opção minha, porque eu era difícil! Por opção deles mesmo, que preferiam as outras... obrigada Jesus, porque daqui vejo que todos eles eram escrotos, ou se tornaram.
Tenho a impressão que hoje, aos vinte e cinco anos, eu continuo mais ou menos a mesma pessoa insegura que só reclama da vida. Esse blog é um revival, sou eu, versão adulta, com as mesmas inquietações dos idos anos 90. nauqela época eu já achava a vida uma merda.

Galeria












Eu compraria, mas não comprei a folha de cortiça para fazer um belo mural com fotografias do meus. Caro demais, me deu mau-humor e voltei pra casa de mãos vazias. Pode parecer banal, mas eu fiquei sim chateada pelo fato de ser pobre e sem fotografias nas paredes.

Wednesday, May 17, 2006

Antes de iniciar as reclamações a respeito desse 17 de maio, quero dizer que estou gostando de viver. Acordo cedo, como torradas com mel, cereais, e tomo um café. As horas têm sido serenas passadas ao lado dele; e o riso, esse que é bom, rejuvenesce e relaxa os músculos contraídos, sai fácil.
Tudo soa como num comercial de margarina, mas o fato é que é. Tenho sim, uma vidinha de comercial de margarina!
Mas existe, além das portas de casa, o mundo. O mundo cruel que precisa de mim para girar e do qual preciso para poder também seguir. Não há como fugir do mundo que há da porta pra lá. E é com pesar que constato que, infelizmente, não há como ausentar-me dele.
Hoje, na saída da aula dos pequenos, uma mãe de um aluno da 1ª série questionou-me a respeito de minha atuações profissionais prévias, bem como, e por conseguinte, de minha competência. O modo como as pessoas abordam as outras, desafiando-as com desdém, na certeza de que não vencerão seu desafio me aborrece. Para burro, como diria Daniela Moreira. Eu não sei nem conversar com pessoas assim. Não sou desse tipo de gente. Odeio constangir os outros, colocá-los diante de situações embaraçosas gargalhando por dentro.
Também não sou do tipo de gente que deixa os problemas referentes ao trabalho em seu local de trabalho após o expediente. Eu os levo comigo. Minha auto-estima declina, e a expressão chateada, triste até, substitui o sorriso de então.
Por isso não gosto do mundo. Existem boas coisas também, mas a meu ver, quase tudo lá fora é chato. Ruim. margarina sem sal. Margarina MESA.

Monday, May 08, 2006

Dentro em breve esticarei meu corpo sobre a cama e tenatrei simplesmente descansar, pois minha cabeça está prestes a fundir de tanto pensar cá com meus botões em como fazer meus alunos terem um mínimo de interesse em minha aula. Não sei se isso é algo impossível de se conseguir, mas eu vou tentar. Problema grande também é o fato de isso me consumir o dia todo, o tempo todo. Decidi que quero que tudo seja diferente e não relaxo, não penso em outra coisa. Parar de ser obsessiva, variar os pensamentos, não me fixar em um só, eis aí o que eu deveria fazer. Ai, a monomania! Ao menos é algo construtivo. Espero.

Ontem fomos ao cinema e não realizamos fuga alguma. Encaramos toda a sessão de "O segredo de Brokeback Moutain", ainda que nossos estômagos roncassem. Alto, por vezes. E aquelas bixas bonitas do filme comiam direto ovo frito, que é algo tão suculento, delicioso; que me remete a lebranças da infância... aquela doce época em que o Maluf era governador e que só tinha mesmo ovo na geladeira, e as verduras da horta do meu pai...

Todo dia é diferente ao lado dele.

Sunday, May 07, 2006

Da previsão do tempo a RC

O outono mais frio do qual me recordo é esse que enfrentamos nesse ano de 2006. A luz do sol se compara a uma luz de geladeira, que só ilumina, mas não aquece. O frio não tem me incomodado, por enquanto ao menos. O calor do verão passado foi tão intenso que eu estava ansiosa com a chegada de temperaturas mais baixas.
Será meu primeiro inverno de mulher casada. O primiro inverno em que as noites frias não serão tão frias, pois tenho minha cama de casal branca, com cobertores de casal, e eis que eu sou parte integrante do casal que na cama dorme.

Faz parte do sonho de qualquer romântico dos litorais desse oceano atlântico fantasiar noites frias, aquecidas pelo corpo da pessoa que você ama. Eu, enfim, faço parte dessa massa, desse povo que sonha em amar sem limite. Mas nunca baixei nenhuma música do rei Roberto Carlos. Sou romântica, mas com dignidade, façavor...

A trindade da Jovem Guarda: ternurinha, o Rei e Tremendão.
Eu não entendo essa adoração toda pelo Roberto Carlos. Quer dizer, posso entender porque as senhoras de meia idade o idolatram. Mas não entendo esse povo indie que resolveu achar RC grande e genial. Será que RC é algo vintage? Será que pega bem? Não me interessa. Ele está cada dia mais Tim Tones, meio gospel. E também meio caminhoneiro.

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Poema também do Drummond. Porque hoje a ausência deles todos me faz companhia.

Saturday, May 06, 2006

memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

vidinha

Eu gosto de ir ao supermercado fazer compras. Para muitas pessoas esse programa/tarefa/dever/necessidade pode parecer enfadonho ou desgastante. Não sei. O fato é que sinto prazer percorrendo os corredores todos.
Fiz uma compra mixuruca com meu vale mixuruca. Mas é gostoso ainda assim, mesmo que eu saia do supermercado com poucas sacolas.
Trouxe queijo tipo cheddar, xampu, condicionador, barra de cereais, leite fermentado ACTIVIA porque eu preciso cagar. Enfim, eu saí de lá numa manhã ensolarada e fria, com as sacolinhas, ouvindo Travis no discman, cortando as várias ruas até minha casa com uma sensação muito boa. Sensação de que eu sei me cuidar. Cada dia um pouquinho mais. Às vezes retrocedo e faço bobagem ou penso bobagem, o que é mais comum. Mas eu estou me cuidando, sim.



Isso me importa bastante, porque eu acho que me levou muito tempo e esforço até que eu compreendesse a importância de algumas coisas, como ter uma vidinha. Sabe "vidinha"? Um estilo de vida regrado e gostoso, com geladeira cheia, calor humano, música na casa no domingo... o supermercado me traz uma sensação de que eu pertenço a essa vidinha.

a morte dos avós



Hoje é o dia em que eu não merecia estar sozinha.
Estou aqui com as lembranças de gente querida que se foi, com preocupações a cerca de gente muita querida também.
Estou aqui em casa num sábado à noite, como de costume, me sentindo muito sozinha e assustada com as coisas que minha cabeça pode pensar.
É em momentos assim que eu queria ter de volta meus avós, minhas amigas que estão muito longe de mim, minha família toda.
Não tenho mais aquela loucura de sair à noite, na garupa de um motoboy, a procura de uma mesa de bar com conhecidos, o que é bom. Porque ainda que eu esteja precisando de gente, eu me encontro dentro de minha casa. Aqui eu me cerco e me protejo. Aqui é o lugar ao qual pertenço, o lugar pra onde o Liro vai voltar depois de seu expediente.
Eu não preciso de "gente", aliás. Eu precisava é do meu avô, da minha avó, dos meus pais, das minhas irmãs e sobrinhos pra me alegrar. Não é qualquer pessoa. E como eles não estão no Café Brasil, não há porque sair daqui. Eles não estão nessa cidade.
Meus avós não estão em lugar algum. Só a imagem deles aqui em minha memória, nos retratos, em sonhos, sons, cheiro de bife. Em coisas assim.
Estou chorosa hoje, morta de saudade, com um monte de abraços acumulados que nunca pararão de acumular. Nunca mais darei abraços na Anita e no Oscar.
Eu me sinto uma criança, deduzindo aos poucos o que a morte significa. As implicações que ela traz.
Morte nos impede de saciar saudade. E por isso a morte deles leva um pedaço meu para esse lugar escuro - ou iluminado - que não está no mapa, que eu não sei onde fica.

Friday, April 28, 2006

A intimidade com a tela em branco já era.

Saturday, April 22, 2006

Tive preguiça Tenho preguiça do convívio com outra pessoa que não seja o Liro. Ou minha família. Mas estou habituada a não ter que explicar ou contar as últimas novidades. Gosto de estar com quem já me conhece bem e sabe dos acontecimentos por vivê-los comigo....
preguiça de escrever

Saturday, April 08, 2006

Francoise Hardy - a bela cantora francesa

Quando minha vida entrar nos eixos, farei de conta que eu não sou eu. E sim que sou minha melhor amiga ou minha irmã. Porque dessa forma sei que farei o melhor por mim. Eu vou me cobrir de mimos e cuidados, e é isso o que eu deveria fazer com a consciência de que é a pra mim mesma, eu bem sei. Mas eu nasci e cresci acreditando que os outros têm um valor triplicado em relação ao meu. Bem, sendo assim... eu não sou mais eu. Sou minha amiga. E vou me cuidar. Tanto a ponto de parecer tão bela quanto Francoise Hardy.


Ok, não olhem descrentes pra foto. Francoise além de possuir cuidados generosos, possuía uma genética generosa. Mas lá em casa todo mundo é bem bonito. Talvez minha feiura não seja por conta da genética...

O vermelho das unhas está descascado. Sinal de desleixo. Mas com tantas coisas para serem feitas, o cuidado comigo mesma está em último plano. Mas é por pouco tempo. Quero e preciso ter tempo pra mim. Pra minhas risadas, pros meus abraços. Pra pintar as unhas ouvindo música, e estragá-las lavando minha louça.
Não há preço que pague o prazer de se levar adiante uma vida.

Sunday, March 26, 2006

Amanheceu nublado e com ventinho frio. Sinto-me alegre por saber que não corro o riso de derreter hoje.

Wednesday, March 15, 2006

3º ano


Hoje é aniversário do meu sobrinho que bem que poderia ser meu filhinho.
Eu te amo um amor muito enorme. Sinto saudade trsite de apertar o peito e fazer chorar.


Feliz aniversário.

Sunday, March 12, 2006

Eu acordei com vontade de viver de uma forma diferente. Preciso urgentemente de calma e paicência com a vida. Meu estômago dói de tanto choro e crises de nervoso. Minha respiração está difícil.
Preciso criar um mundo meu. Eu não gosto desse.
Não posso deixar que seja assim porque eu estou morrendo por dentro. Não é metáfora, não é hiperbole, é uma agonia cancerígena. É dor.
Quero trégua. Quero fazer quem eu amo feliz. Ir trabalhar cantarolando uma música bonitinha. Voltar cantarolando. Quero ser uma Polliana. Quero ser alguém que finge não saber da dor que existe.

Thursday, March 09, 2006

Passei a limpo aqui coisas que escrevo em pequenos pedaços de papel enquanto estou na rua ou no trabalho.
Porque eu preciso me concentrar em alguma coisa quando estou longe do meu lar e do meu Liro. Então sempre tenho um papel e uma caneta a mão para registrar minha angústia. Porque a coisa que sinto com mais frequência é angústia. Angústia por ser jovem e não viver isso. Angústia por trabalhar demais e ser paupérrima. Angústia por querer morrer. Por não ser parecida com alguém que eu admiraria. Angústia é a palavra que permeia meus pensamentos com a maior frequência!
....
O Liro chegou agora falou coisa boa pra mim e foi me buscar um copo d'água.

"Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho..."
....
Parece que estou melhor agora. Às vezes acho que tenho síndrome do pânico, mas eu não posso me dar ao desfrute de sofrer dessa doença, porque se eu não sair de casa eu não tenho grana pro aluguel, pro supermercado, pra qualquer coisa. Eu não teria uma casa pra poder sofrer dentro dela.
Seguir a vida e criar um universo só meu. Com minhas coisinhas, minhas idéias e manias. Criar a menina que eu nasci pra ser. Ainda que sem as oportunidades fantásticas que sonhei pra mim, sem as viagens, as malhas de lã coloridas...

.........................

Eu o acho cada dia mais bonito. Coisa de ficar parada olhando e admirando. Ele é bonito.

No ônibus

Eu olho criancinhas de colo e fico invejando o fato de serem lindinhas, mimadas, protegidas e cuidadas.
A bebê do ônibus ía com calma passear. Eu quero ir com a calma dela passear também.
Proteção é felicidade pra mim.
Eu não quero e não posso mais me deprimir. Não quero mais pensar em morte. Eu quero me esquecer desses últimos dias. Ficar quieta e deixar os dias passarem. Para que eu fique em paz. Eu nem sei o que é paz, na verdade. Chegar em casa, tomar banho e ficar quieta. Calma. Quieta. Calma.