Wednesday, March 26, 2008

a festa



quando dentro do ônibus, sonho planos de reencontro entre amigos. ouço minhas músicas favoritas imaginando o dia em que será possível reunir as pessoas de quem gosto numa festa farta de bebida, comida e risos sinceros. a realidade é que não vejo disposição vinda de parte alguma para que meus sonhos simplórios, e tão grandiosos para mim, aconteçam. falta a mim essa disposição que não encontro nos amigos. não culpo os outros pela distância. talvez a mim. sim, porque eu me acomodo facilmente a essa situação: já fiz os amigos especiais com quem sempre sonhei. eles existem, moram longe, devem estar bem. e devem pensar que estou bem também. vivemos grandes momentos. tivemos brigas que nos machucaram. reconciliamo-nos com abraço sincero. uma coisa doce vampiro: já nos ferimos e já nos curamos a ferida. com alguns nunca mais foi a mesma coisa. mas aquelas lembranças não me lembram só momentos juvenis. essas lembranças não me deixam esquecer, principalmente, de que eu sei conquistar pessoas. algumas delas gostavam das minhas brincadeiras, dos meus conselhos. esses amigos são prova de que eu não sou assim... um bicho do mato. eu também gostava deles, sentia vontade de telefonar, bater papo, almoçar junto, tomar sorvete no domingo à tarde. hoje em dia, das pessoas geograficamente próximas, quem me atrai é o liro. e só. e sei que não há nada de espantoso nisso. eu mudei, possivelmente. mas o momento, sobretudo, mudou. a fase em que o tempo e o ócio propiciavam encontros e o cultivo de relacionamentos oriundos desses encontros passou. o tempo agora é de trabalhar. e no tempo que me resta, ler alguma coisa, navegar na internet e limpar a casa. tenho tentado preencher meu tempo com coisas simples da vida. sonho em definitivamente aprender a tocar violão. esforço-me para ser alguém doce de se conviver. não é muito difícil porque meu cônjuge é o menino mais doce do brasil. retribuir tanta doçura se faz por reflexo. mas eu sinto falta de umas meninas legais que conheci. e penso nelas todos os dias. algumas dessas pessoas nunca me amaram de volta como eu as amei. e não me refiro a quem me lê aqui, pois eu me sinto amada por vocês sim. são pessoas que abracei e quiseram me soltar. e eu também já soltei uma galera por esse meu caminho. dói saber que o desprezo que sentimos por alguns é o mesmo que outros sentem por nós mesmos. com a rejeição eu me desenvolvi. ainda bem. não dava pra ser aquela. essa dá menos trabalho. um pouco menos. porque não dá pra depender de ninguém. só da gente, né?
mas quem sabe um dia a gente se encontra para uma festa? num lugar lindo com rock n' roll?

4 comments:

Anonymous said...

marque a festa, mas não vou mentir, só vou se o trabalho e o dinheiro deixar...
é como vc disse... outros bosta tempos...

Anonymous said...

marque a festa, não garanto que irei, não por falta de desejo, mas pelo que vc disse... agora são outros tempos... trabalho e dinheiro.
bj pra vc pequeno monstro.

On the Road said...

Chego em terras brasilis dia 15 de junho e fico, qdo e a festa? e onde?
bjs
Tbem estou odiando meu cabelo...

Ana M said...

lembra da Lú?, umas das minhas inúmeras amigas japonesas (me lembro que vc ria cada vez que eu te dizia que tinha conhecido uma japonesa, até a terapeuta era, lembra disso?); então, um dia ela me disse mais ou menos isso que vc falou, quanto à época de conhecer gente e fazer amigos. e parece ser verdade; mas não entendo o porquê.

aqui~tbém não tenho ninguém. tem a minha família, que mais me enche o saco do que me consola. e meus amigos estão todos longe longe geograficamente; aí, a grande alegria de encontrá-los é quando ligo o computador. estou com manias de Rio de Janeiro de São Sebastião e todas as minhas viagens têm sido para lá. aquele lugar me chama, sabe?; mas vou tentar não ouvir seus apelos e juntar dinheiro pra mudar a rota. Americana, Campos, Curitiba, Ribeirão e Taubaté (em ordem alfabética, que no coração são todos os nomes sobrepostos). tbém sinto falta do amor. mas isso é lá outra estória.


Parênteses: ouvi uma conversa de que em português não se diferencia mais estória de História. será verdade? ai, acho que não consigo me desvencilhar das fromas antigas. é assim que começa o passar dos tempos?? ui!

love